PSD e CDS querem que Cavaco esclareça “vulnerabilidade”, BE lamenta declaração “ambígua”

29.09.2009 - 21:32 Por Lusa, PÚBLICO
O secretário-geral do PSD, Luís Marques Guedes, considerou hoje que Cavaco Silva confirmou “a suspeita de que as comunicações da Presidência da República podem não ser totalmente seguras” e exigiu ver rapidamente esclarecida essa “vulnerabilidade”. Uma vontade também expressa pelo líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares. Já o BE defendeu que o Presidente da República devia ter-se pronunciado mais cedo sobre o alegado caso das escutas em Belém, considerando que a declaração foi “ambígua” e “lamentável no actual período político”. O PCP, por seu lado, que um esclarecimento do Governo
“Esta declaração do senhor Presidente da República confirma a suspeita de que as comunicações da Presidência da República podem não ser totalmente seguras. Essa é uma vulnerabilidade preocupante e que, naturalmente, carece de um esclarecimento, como foi dito pelo senhor Presidente, e um esclarecimento que o PSD deseja, para bem das instituições, que seja rapidamente efectuado”, afirmou Marques Guedes.
“Qualquer falha na segurança das comunicações da Presidência Presidente da República é grave e tem que ser rapidamente esclarecida e resolvida”, acrescentou Pedro Mota Soares, em declarações aos jornalistas, no Parlamento. Para o CDS-PP, a declaração do Presidente da República leva a “concluir que houve uma tentativa de fazer uma campanha [legislativa] de casos e de incidentes”. Mota Soares recusou fazer mais comentários sobre o caso, que considerou “acessório”, frisando que o CDS-PP “é coerente” e está concentrado nos problemas económicos e sociais do país.
Falando aos jornalistas no Parlamento após a declaração do chefe de Estado ao país, o líder parlamentar do BE, Luís Fazenda, defendeu também que “se o Presidente da República tinha apreensões em relação à segurança do seu sistema informático não se compreende porque é que mais cedo não tomou as devidas medidas junto das autoridades competentes”.
Fazenda afirmou que “esta querela entre instituições que hoje tem aqui um ponto de agravamento é totalmente artificial ao país” e que Portugal “procura soluções e políticas que o possam tirar da crise e não factores de agravamento entre a Presidência da República e o Governo acerca de suspeições”.
“Se o Presidente da República pretendeu fazer um desmentido em relação às notícias que atribuíam a Belém a origem de notícias das acerca das escutas não se percebe porque é que não o fez antes, devia tê-lo feito e não deixado o país em suspenso durante uma campanha eleitoral, mas de qualquer modo faz um desmentido com uma enorme ambiguidade”, acrescentou. “Esta intervenção do PR, pela nebulosa que deixa, é deveras lamentável no actual período político e no início de uma outra campanha eleitoral”, concluiu Luís Fazenda.
O PCP, por seu lado, considerou que a declaração mostra a existência de “conflito institucional entre a Presidência da Republica e o Governo” e que algumas das afirmações feitas exigem um “rápido esclarecimento” do Governo. Para Jorge Cordeiro, da comissão política comunista, a declaração de Cavaco silva não esclareceu qual foi o papel de elementos da sua casa civil no caso das alegadas escutas divulgado na imprensa. O PCP considerou ainda preocupantes as revelações feitas pelo Presidente sobre a vulnerabilidade da segurança na Presidência da República. Isto “exige um rápido esclarecimento do Governo”, defendeu o PCP.
O Presidente da República acusou hoje “destacados personalidades do partido do Governo” de manipulação e de tentarem colar o presidente ao PSD com o objectivo de desviar as atenções, mas garantiu que não se deixa condicionar nem cede a pressões. O chefe de Estado revelou ainda que esteve durante o dia de hoje reunido com “entidades” ligadas à “área da segurança” e que concluiu que o sistema informático da Presidência apresenta algumas vulnerabilidades, tendo requisitado medidas no sentido de “reduzir os riscos” de eventuais acessos não autorizados.
Notícia actualizada às 21h53


