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PSD e CDS acusam BE de “chicana política” no caso BPN

23.02.2012 - 19:30 Por Lusa

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PSD e CDS acusaram nesta quinta-feira a oposição de querer fazer “chicana política” com o BPN e defenderam que uma comissão parlamentar de inquérito sobre a venda do banco só depois de finalizada essa venda.

O CDS, que propôs a primeira comissão de inquérito sobre o BPN em 2008, afirmou, através de João Almeida, que “é preciso acabar de uma vez por todas com o pesadelo do BPN”.

Sem anunciar se os democratas-cristãos votarão contra ou se irão abster relativamente à criação da comissão de inquérito, João Almeida disse recusar entrar em “chicana política” sobre um tema “tão sério”.

“Concluído o processo de venda, todos os expedientes parlamentares, todos os meios de escrutínio parlamentar, todas as diligências possíveis - incluindo a iniciativa do PCP, de uma auditoria que nunca foi realizada, que é muito positiva - todas merecerão o voto do CDS para que se possa apurar a verdade”, afirmou João Almeida.

Pelo PSD, Hugo Velosa insurgiu-se contra a posição do PS (favorável à comissão de inquérito), que considerou ter responsabilidades na matéria que deveriam fazer “corar de vergonha” os socialistas, e acusou o ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, de ter ficado na história do Parlamento “por ter escondido o que se passava” ao longo dos anos no BPN.

“Aceitaremos qualquer comissão de inquérito, uma vez concluído este processo”, afirmou, sublinhando que a venda do BPN está no memorando da ‘troika’.

Depois de desafiado pelo comunista Honório Novo, Hugo Velosa admitiu até serem os próprios sociais-democratas a suscitarem a comissão de inquérito ao BPN, considerando que a proposta do BE teve como objectivo a “chicana política pura”.

Para o BE, que propôs a comissão de inquérito, porque considera que houve uma “venda de favor” ao BIC, “a história do BPN” resume-se em poucas palavras: “Uns andaram a roubar, outros deixaram roubar, outros ainda vão ficar a ganhar no final de tudo isto”.

“E a direita, o Governo, quer o povo a pagar o prejuízo e o Parlamento a assobiar para o lado”, resumiu João Semedo, argumentando que o Governo entregou 767 milhões de euros ao BIC para depois o BIC comprar o BPN por 40 milhões.

O deputado socialista Pedro Nuno Santos desafiou PSD e CDS a viabilizarem a criação da comissão de inquérito, argumentando que “as dúvidas sobre o negócio” o justificam e que “é grave que quem tenha poder de decidir bloqueie a procura da transparência”.

Já em 2008 o PS votou favoravelmente uma comissão de inquérito, disse Pedro Nuno Santos, que, em resposta às críticas às falhas de supervisão do então governador de Banco de Portugal Vítor Constâncio, respondeu que, ainda que essas falhas tenham existido, não foram responsáveis pela “gestão danosa do BPN que obrigou à nacionalização do BPN”.

Honório Novo, que apresentou a proposta do PCP para uma auditoria pelo Tribunal de Contas, que foi muito elogiada nomeadamente pelo PSD, defendeu que as informações sobre o BPN têm sido desde o início “deliberadamente incompletas, deliberadamente contraditórias”.

Lembrando que o PS se opôs, durante o Governo Sócrates, a uma auditoria ao BPN, Honório Novo, argumentou que “já ninguém confia nas informações pontuais que os governos vão dando sobre buracos passados e futuros do BPN e do BPP”.

Para o PCP, “importa apurar responsabilidades” e “importa que os portugueses conheçam cêntimo a cêntimo o que estão a pagar pelos actos criminosos de alguns e pelas ineficácias governativas de outros”.


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