PSD considera votação “momento da verdade” para avaliação dos professores

08.01.2009 - 17:29 Por Lusa, PÚBLICO
O PSD defendeu hoje que com a votação do seu projecto de lei para suspender a avaliação dos professores "chegou o momento da verdade" e "de saber quem quer salvar este ano lectivo". Na resposta, o PS acusou o PSD de ter "chegado atrasado" à discussão do tema e de estar a tentar "uma segunda volta" para reparar o episódio das faltas ao debate do início de Dezembro sobre a suspensão da avaliação docente.
Segundo o líder parlamentar social-democrata, Paulo Rangel, na votação de hoje ficará claro “quem quer uma avaliação equilibrada e justa dos professores, quem põe os alunos, as famílias e as escolas em primeiro lugar”.
Paulo Rangel fez, ainda, alusão aos deputados do PS que votaram ao lado da oposição no debate do início de Dezembro, o que teria possibilitado a aprovação de um projecto de resolução do CDS-PP que recomendava ao Governo a suspensão da avaliação dos professores, não fossem as faltas da oposição. Para o PSD este apoio faz agora mais sentido por o projecto ter “força obrigatória e vinculante”.
Rangel alegou que as escolas públicas portuguesas vivem "a maior e mais grave crise desde o 25 de Abril" e que está em causa repor a estabilidade e "salvar o ano lectivo de 2008/2009", negando que o PSD queira "com esta iniciativa uma vitória política ou um número partidário".
O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, contestou a ideia de crise nas escolas, afirmando que "o ano lectivo está a funcionar, os professores estão as dar as suas aulas, os alunos estão a estudar e os funcionários estão a funcionar nas instituições académicas".
"Esta intervenção e este projecto só se justificam porque o PSD como sempre chegou atrasado. Foi intimado a ir à sede do seu partido para dar explicações pela presidente do seu partido. Hoje veio dar as explicações mas chega atrasado e pretende objectivamente uma segunda volta na discussão da avaliação e da suspensão da avaliação", alegou.
Por outro lado, Alberto Martins acusou o PSD de apresentar um projecto de lei "de duvidosa constitucionalidade" e que viola a separação de poderes porque pretende "por uma via legislativa adoptar um acto administrativo". Críticas que Rangel negou, dizendo que as duas grandes manifestações da classe falam por si e afastam a possibilidade de um aproveitamento político.
Avaliação abolida no Governo de Guterres
Ainda durante o debate, Paulo Rangel lembrou que o princípio da avaliação dos professores já esteve em vigor na década de 90 e que foi abolido pelo Governo socialista de António Guterres. Segundo diz o PSD esse “modelo de avaliação e de progressão impunha provas públicas de acesso ao topo da carreira".
"E foi, na altura, o Governo PS - a que o actual primeiro-ministro e o ministro dos Assuntos Parlamentares pertenciam - que terminou com essa exigência para a progressão, sem que ninguém o tivesse pedido ou reclamado", acrescentou o líder parlamentar do PSD.
Paulo Rangel quis sublinhar que o seu partido é a favor do princípio da avaliação dos professores: "O princípio é bom e é correcto, mas o modelo em questão é mau e é impraticável. E mais: foi apenas reintroduzido, pois tal princípio já estivera em vigor na década de 90". Por outro lado, na sequência da intervenção do ministro dos Assuntos Parlamentares, o líder parlamentar do PSD criticou a ausência da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, no debate de hoje.

