O PSD acusou hoje Mário Soares de apresentar uma candidatura presidencial "de matriz marcadamente partidária", que "nasce de uma combinação" do antigo chefe de Estado "com o PS, mas também com o PCP e o BE".
"A candidatura de Mário Soares é acertada e combinada. É acertado com o PS e, ao que parece, com o PCP e Bloco de Esquerda", disse o vice-presidente do PSD Eduardo Azevedo Soares, em declarações à Lusa.
Para o dirigente social-democrata, o discurso com que Mário Soares se apresentou hoje como candidato foi "contraditório, maçador e muito justificativo", sem "um projecto de futuro".
Uma intervenção que, também na opinião de Eduardo Azevedo Soares, "chegou a parecer uma lista telefónica dos problemas mundiais".
A formalização da candidatura presidencial de Mário Soares nesta fase tem igualmente a função de "desviar as atenções dos portugueses das eleições autárquicas [de 9 de Outubro] e da grave crise económica que o país atravessa e a que o Governo não consegue fazer frente", disse.
Azevedo Soares afirmou ainda que a apresentação da candidatura de Mário Soares às eleições presidenciais de Janeiro contrasta com um eventual avanço de Cavaco Silva, que, a confirmar-se, "dispensará o aparato partidário" e "será independente".
CDS-PP: Soares representa "uma candidatura socialista"
O líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, considerou, por seu lado, que a candidatura de Mário Soares à Presidência da República "interessa sobretudo ao PS" por ser "uma candidatura socialista".
"Não é uma surpresa, era um facto anunciado. Esta candidatura interessa sobretudo ao PS, visto que esta é uma candidatura socialista", disse o líder democrata-cristão, em declarações à Lusa.
Ribeiro e Castro manifestou-se também "surpreendido" pelas "críticas [de Mário Soares] à maioria PS", no momento em que o antigo chefe de Estado "caracterizou a situação actual como de crise, desorientação e indiferença".
"Esta é a crítica mais severa que se pode fazer", afirmou o líder do CDS-PP, considerando que a candidatura de Soares tem sido "instrumentalizada pelo Governo" com o objectivo de "distrair os portugueses" da situação do país.
Na opinião de Ribeiro e Castro, Soares fez "um discurso voltado para dentro e para o passado" e não representa "a resposta que o país precisa". "Precisamos de algo mobilizador para Portugal, de algo ancorado no século XXI, um factor de mobilização positiva", advogou ainda.


