O PSD vai avançar com uma proposta para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar se houve interferência do Governo no negócio PT/TVI e se Sócrates “faltou à verdade” sobre a operação no Parlamento.
A bancada social-democrata vai iniciar conversações com outros grupos parlamentares para obter consenso alargado, mas a iniciativa só deverá avançar após a votação do Orçamento do Estado para 2010, a 12 de Março. O BE já propôs uma comissão de inquérito sobre o mesmo negócio.
O inquérito parlamentar proposto pelo PSD incide em três pontos: apurar se o Governo interveio na decisão da PT propor a compra de uma participação na TVI (e se o fez com que modos e objectivos), se o primeiro-ministro “faltou à verdade nas declarações que proferiu na sessão plenária de 24 de Junho de 2009”, e verificar se a relação do Governo com os órgãos de comunicação social tem sido regida pelos princípios do “tratamento não discriminatório” no acesso às fontes e na distribuição dos investimentos publicitários com origem da administração e empresas públicas. De fora fica o caso do futebolista Figo.
Em conferência de imprensa, hoje no Parlamento, Aguiar-Branco justificou a criação da comissão de inquérito com as declarações "equívocas" do primeiro-ministro, notícias e as audições na comissão de Ética. “Este passo visa esclarecer de forma inequívoca já que por parte do PS e do primeiro-ministro ainda não foram dados os esclarecimentos suficientes sobre isto”, disse o líder parlamentar do PSD.
Questionado pelos jornalistas sobre se pretende chamar o primeiro-ministro ao Parlamento, Aguiar Branco disse que todas as hipóteses estão em aberto. Hoje, em entrevista à Antena 1, o candidato a líder do PSD defendeu que no caso da comissão de inquérito concluir que Sócrates teve plano para controlar a comunicação social o partido deve apresentar uma moção de censura. Aguiar-Branco recusou repetir a mesma afirmação na conferência de imprensa por considerar que não deve misturar as duas qualidades em que faz declarações. Mas – adiantou – as conclusões terão “consequências políticas”.


