O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, acusou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, de ter feito no debate do Estado da Nação anúncios de milhões de euros que não pode cumprir.
No Parlamento, Paulo Rangel acusou ainda o primeiro-ministro de ter omitido no seu discurso o desemprego, a dívida externa e o défice das contas públicas, que disse serem os "três principais problemas do país neste momento". "Quem ouviu o discurso do senhor primeiro-ministro só tem um título para lhe dar: Sócrates no país das maravilhas. Não há outro título", considerou o líder parlamentar do PSD.
No seu discurso, o primeiro-ministro anunciou novos investimentos por parte do Estado: 115 milhões de euros para a construção de equipamentos sociais, 20 milhões de euros para a modernização dos serviços de saúde e uma linha de crédito de 50 milhões de euros destinada às instituições privadas de solidariedade social (IPSS).
"A sua especialidade é fazer anúncios, mas não é cumpri-los. É natural que a dois meses de eleições venha aqui fazer anúncios de milhões e milhões quando toda a gente sabe que não os pode cumprir", reagiu o líder parlamentar do PSD. "Se o primeiro-ministro Guterres ficou conhecido como o primeiro-ministro do diálogo, o senhor primeiro-ministro vai ser conhecido como o primeiro-ministro dos anúncios, porque só faz anúncios que não cumpre", acrescentou.
Na resposta, sem direito a réplica por parte do PSD, José Sócrates contestou que tenha feito um discurso irrealista e que tenha deixado "as contas públicas num estado pior do que aquele que encontrou", como defendeu Paulo Rangel. "Eu fui realista, eu falei de todos os problemas do país. Quer uma citação? Eu disse às tantas 'sei que entre nós, como em muitos países do mundo, esta crise afecta as empresas, aumenta o desemprego, preocupa as famílias'. Isto é realismo", reclamou.
Numa alusão a uma declaração da presidente do PSD em entrevista à SIC na semana passada, José Sócrates devolveu aos sociais-democratas a acusação de irrealismo: "Igual realismo não foi seguido pelo PSD quando, com o intuito apenas de assacar responsabilidades ao Governo classifica a actual crise mundial como um abalozinho de terras".
Quanto às contas públicas, o primeiro-ministro alegou que o seu Governo conseguiu "em 2007 e 2008 os menores défices orçamentais da democracia portuguesa" e deixou "as contas públicas em ordem", podendo, por isso, responder agora à crise económica. "Uma das acções mais meritórias do Governo foi ter posto as contas publicas em ordem durante dois anos", reiterou, acusando o PSD de querer "esconder" isso.
O líder parlamentar do PSD questionou o primeiro-ministro sobre o ponto em que estão o pagamento das dívidas do Estado às empresas, a execução dos fundos comunitários, pediu-lhe que dissesse se concordava "que os computadores Magalhães tenham sido adjudicados a uma empresa sem concurso público" e se aceita suspender a construção "da terceira auto-estrada Lisboa-Porto". José Sócrates apenas respondeu directamente à questão sobre o Magalhães, dizendo que Paulo Rangel "não sabe nada do que está a falar", porque os computadores foram "comprados pelos operadores" e não pelo Governo.


