PSD acusa Governo de se confundir com PS na campanha para as europeias

06.05.2009 - 20:31 Por Sofia Branco
O Governo tem, de “forma despudorada e sem qualquer sentido de Estado”, confundido a sua acção com a do PS na pré-campanha para as eleições europeias, acusou hoje Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, na cerimónia de apresentação dos candidatos sociais-democratas às eleições europeias de 7 de Junho, no mesmo dia em que o partido comemorou 35 anos. “Somos um partido da Europa. Hoje, a Europa somos nós”, disse.
Ferreira Leite reagiu daquela forma à troca de palavras entre o cabeça-de-lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, e o ministro da Economia, Manuel Pinho. “A confusão entre membros do Governo e candidatos a deputados é inqualificável”, insistiu, simultaneamente repudiando “as primeiras manifestações de comportamento do PS” que revelam a ausência dos “princípios” da “discussão construtiva” e da “elevação de argumentos” que o PSD promete manter durante a campanha.
A líder social-democrata, que, ao contrário de Rangel, falou de improviso e sem recurso a teleponto, voltou ainda a dizer que as europeias são também “um acto importante do ponto de vista nacional”, manifestando a esperança de que os portugueses não percam “a oportunidade” de dizer que “quem não sabe governar o país também não sabe defendê-lo no Parlamento Europeu”.
Um a um, os 30 candidatos a eurodeputados pelo PSD (22 efectivos e dez suplentes) foram chamados a assinar “um contrato” com os eleitores, sentando-se depois numa bancada de cadeiras aristocráticas montada no palanque de uma sala de um hotel em Lisboa.
A novidade deste “contrato” foi anunciada por Paulo Rangel: a criação de uma “Rede Autarquias/Europa”, na qual “cada eurodeputado eleito ficará responsável pelo contacto directo com um conjunto de municípios”, comprometendo-se a ser o “interlocutor” das suas preocupações junto dos órgãos europeus.
O cabeça-de-lista do PSD insistiu ainda na defesa do programa Erasmus/Emprego, que levou o presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), Basílio Horta, a acusá-lo de “ignorância e arrogância”, no que foi apoiado pelo ministro da Economia, que aconselhou Rangel a comer “muita papa Maizena”. A referência ao Erasmus/Emprego, “virado unicamente para o primeiro emprego” e que Rangel gostava que tivesse o nome de Vasco da Gama, foi das mais aplaudidas pelos militantes presentes. “Ninguém nos levará a bandeira”, disse Rangel, insurgindo-se “contra a habilidade de, com agressões verbais, tentarem calar” as suas propostas.
A equipa de candidatos a eurodeputados pelo PSD (pela primeira vez com três mulheres nos primeiros nove lugares da lista e com 14 no total) disse ainda que o Governo “fracassou completamente na aplicação dos fundos comunitários”. “Como não estaria Portugal se os fundos comunitários do QREN [Quadro de Referência Estratégico Nacional] estivessem executados não a 2 por cento mas a 30 (30 de 21 mil milhões de euros)?”, questionou Rangel, voltando a manifestar o apoio à “recondução” de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia.

