O PS vai chumbar amanhã na Assembleia da República os projectos de resolução do PCP e do BE a defender a suspensão do encerramento dos serviços de urgência, Segundo os socialistas, a reforma em curso pelo Ministério da Saúde traz benefícios e, por isso, é para continuar.
O deputado socialista da Comissão Parlamentar de Saúde Vasco Franco confirmou à Lusa que o PS inviabilizará as iniciativas comunista e bloquista, embora revele que compreende "o papel da oposição". "O papel da oposição é pressionar a ministra [da Saúde] que acaba de entrar e está a dar sinais de que a política que é preciso prosseguir vai ser prosseguida", afirmou.
Segundo Vasco Franco, o discurso da oposição "dá a ideia de que o que estava em funcionamento em 2005 era bom, e não era". Nesse sentido, o PS assegura que "a requalificação vai continuar, com um reforço do diálogo junto dos autarcas e das populações para que as pessoas tomem conhecimento das vantagens desta requalificação e das melhorias que irá trazer ao sistema e das alternativas que trará".
O diploma do PCP, que irá amanhã a debate no Parlamento pretende, a "suspensão do processo de encerramentos de serviços de atendimento permanente, urgências, maternidades e outras urgências". De acordo com os comunistas, "é hoje uma realidade incontestável que mesmo as prometidas alternativas avançadas pelo Governo têm provado a sua insuficiência", dando como exemplo "as extraordinárias insuficiências da rede de transportes de emergência”.
Por seu lado, o BE refere que "o encerramento dos serviços de urgência - que, no seu conjunto, atendem diariamente muitos milhares de doentes -, e a referenciação destes para hospitais próximos e cujas urgências estão saturadas e muito sobrecarregadas, teve um impacto muito negativo nas condições de atendimento e funcionamento dessas urgências".
Os bloquistas recomendam ao Governo, no seu projecto de resolução, "a suspensão do encerramento de serviços de saúde e uma orientação para o processo de requalificação das urgências hospitalares e da rede de socorro pré-hospitalar".
As iniciativas parlamentares do PCP e do BE voltam a colocar em discussão a medida que mais contestação trouxe ao mandato de António Correia de Campos como ministro da Saúde do actual Governo, a qual terá contribuído para a sua substituição por Ana Jorge.


