PS rejeita vacina contra cancro do colo do útero no Programa Nacional de Vacinação

18.04.2007 - 22:06 Por Lusa
O PS rejeitou hoje que fosse recomendado ao Governo a inclusão da vacina contra o cancro do colo do útero no Programa Nacional de Vacinação (PNV), proposta pelo Partido Ecologista “Os Verdes”, argumentando que "falta ainda muita informação científica".
Os socialistas foram os únicos deputados a votar contra este projecto de resolução, chumbado apesar de ter merecido o voto favorável de todas as bancadas da oposição. No entanto, as duas deputadas independentes eleitas pelas listas do PS, Teresa Venda e Rosário Carneiro, votaram também a favor do projecto de "Os Verdes", enquanto outros quatro parlamentares socialistas irão apresentar uma declaração de voto sobre o mesmo assunto.
"Quando se inclui uma vacina no PNV está a tornar-se obrigatório o seu uso", alertou o deputado socialista Manuel Pizarro, durante o debate do projecto de “Os Verdes” no Parlamento, justificando que "falta informação científica" que permita generalizar a utilização desta vacina.
Para o deputado socialista, a interacção desta vacina, que já é comercializada nas farmácias portuguesas, com as outras do PNV "ainda não está suficientemente estudada", apontando Manuel Pizarro também a ausência de dados sobre o perfil epidemiológico da infecção pelo vírus de papiloma humano (HPV) em Portugal.
"Terá de ser a ciência a falar primeiro", corroborou a deputada socialista Marisa Costa, classificando a proposta do Partido Ecologista "Os Verdes" de "prematura".
O Governo não esteve presente no debate deste projecto de resolução.
O PEV rejeitou as justificações socialistas, que classificou de "iníquas e inaceitáveis", salientando que a Organização Mundial de Saúde "refere e confere" a eficácia desta vacina relativamente aos tipos mais perigosos de HPV.
"O PS não se pode esconder atrás da falta de dados (...) Se têm tantas dúvidas em relação à eficácia desta vacina, qual é a vossa responsabilidade de permitir a sua integração no mercado, nas farmácias portuguesas?", questionou a deputada de “Os Verdes” Heloísa Apolónia.
"Há aqui uma discriminação clara das mulheres em função da sua condição económica", frisou a deputada, lembrando que o custo total da vacina é de 481,35 euros.
A vacina que “Os Verdes” pretendiam ver incluída no PNV, e logo administrada gratuitamente, tem o nome comercial de Gardasil e começou a ser vendida em Portugal no início do ano.
Esta vacina previne o cancro do colo do útero e outras doenças provocadas pelo HPV, nomeadamente os seus quatro tipos de vírus mais cancerígenos: 6, 11, 16 e 18.
O cancro do colo do útero mata uma mulher por dia em Portugal e destrói a vida sexual, familiar e social das sobreviventes deste carcinoma.
Portugal tem a mais alta incidência da Europa deste cancro, cuja principal causa é o vírus HPV, registando 900 novos casos por ano e mais de 300 casos mortais.

