PS rejeita proposta do Governo para alterar artigo sobre indemnizações na lei das nacionalizações

05.11.2008 - 15:28 Por Leonete Botelho
A bancada socialista rejeitou hoje, pela primeira vez, uma alteração apresentada pelo Governo a uma proposta de lei aprovada em Conselho de Ministros. Aconteceu durante a discussão da lei da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), mas não coloca em causa esta decisão, nem mesmo a aprovação do regime geral nas nacionalizações que se encontra em anexo. A proposta inicial do Governo, com as alterações ontem introduzidas pelo grupo parlamentar do PS, acabou por ser aprovada apenas pelo partido da maioria, mas foi ensombrada por um episódio inédito nesta legislatura.
A pedido de Manuel Alegre, o artigo relativo às indemnizações em caso de processo por gestão danosa devia ser clarificado, de modo a que não restassem dúvidas de que um administrador condenado por gestão danosa não deve ter direito a indemnizações. O Governo de imediato se voluntariou para redigir uma alteração e ali mesmo, ministro das Finanças, ministro dos Assuntos Parlamentares e secretários de Estado da Presidência e dos Assuntos Fiscais se lançaram ao trabalho. Mas a proposta teria de ser assumida pela bancada socialista e esta optou por não o fazer.
Na redacção acabada de escrever, o Governo deixava claro que, em caso de condenação de administradores, a indemnização seria anulada ou reduzida na medida em que fosse devida e ainda estivesse por pagar. “Um gestor tem de responder nos exactos termos da sua responsabilidade, nada mais”, explicou Jorge Lacão, secretário de Estado da Presidência, ao defender a proposta.
PCP e BE contestaram a redacção. “Aquele que for condenado tem direito a receber uma indemnização que vai descontar naquilo que tem de pagar, para pagar mais facilmente” o montante em que for condenado, frisou o comunista Bernardino Soares. Num claro momento de tensão, o socialista Afonso Candal recusou a proposta do Governo: “Não é necessária, porventura nem vem clarificar nada”, afirmou o vice-presidente da bancada, para quem, em caso de condenação, tem de ser apurada a “amplitude da responsabilidade”.
A redacção inicial da proposta acabou por ser aprovada apenas com os votos do PS, e mesmo assim com três abstenções socialistas: Manuel Alegre, Vera Jardim e Paulo Pedroso.
PS e Governo estiveram, neste episódio, claramente de costas voltadas. E não o esconderam à saída do plenário. Questionado pelos jornalistas sobre o motivo pelo qual a proposta não foi apresentada, Jorge Lacão remeteu para a bancada do PS. Questionado pelo PÚBLICO sobre se o Governo concordou com a não apresentação da proposta, Afonso Candal remeteu a resposta para o Executivo.

