O PS recusou hoje a possibilidade de se alterar a lei sobre o aborto no Parlamento caso o Presidente da República rejeite marcar uma consulta popular para este ano, e prometeu não desistir da realização de um novo referendo.
"A realização de um novo referendo foi sufragada por 45 por cento dos portugueses, os que nos deram aqui uma maioria absoluta", declarou o vice-presidente da bancada socialista, Vitalino Canas, durante o debate sobre o projecto do PS que altera os prazos de realização das consultas populares.
"Temos feito todas as tentativas possíveis para que o referendo se realize. Temos tentado, aqui nesta câmara, e vamos continuar a tentar", acrescentou, considerando que "a resposta que o referendo de 1998 teve [o "não" ganhou por escassa margem e com menos de 50 por cento de participação] só pode ser alterada por um novo referendo".
Vitalino Canas respondia a uma pergunta do deputado do Partido Ecologista "Os Verdes" Francisco Madeira Lopes sobre se os socialistas admitiam utilizar a maioria a favor da despenalização do aborto na Assembleia da República para alterar a lei, se não houver referendo este ano, como pretendem o PS e o Bloco de Esquerda.


