O porta-voz do PS reconheceu ontem que o partido cometeu erros no processo de escolha do seu candidato presidencial e fará um esforço para se reconciliar com os seus eleitores tradicionais que não votaram em Mário Soares.
"Com certeza que se aprende com os erros e certamente que quando tivermos de escolher novamente candidatos presidenciais olharemos para os erros que cometemos agora", declarou Vitalino Canas aos jornalistas, a meio da reunião da comissão política do PS, na sede do Largo do Rato.
Embora sem referir quais os erros do partido, o porta-voz socialista considerou que nas presidenciais de 22 de Janeiro "não estiveram em causa nem a maioria absoluta do PS, nem o Governo do PS, nem as políticas que o PS tem estado a desenvolver".
"A leitura que fazemos prende-se exclusivamente com o acto que houve, que foi um acto eleitoral relacionado com o órgão de soberania Presidente da República", disse, defendendo que houve "um afastamento momentâneo" de parte dos tradicionais votantes no PS.
"Não nos arrependemos de ter apoiado o dr. Mário Soares, embora reconheçamos que nem ele nem o PS, que o apoiou, conseguiram passar a mensagem que poderia ter conduzido à sua vitória", acrescentou.
Sobre o afastamento de alguns eleitores em relação ao PS, Vitalino Canas sublinhou que o partido não quer "deixar que ele seja mais do que momentâneo" e fará "um grande esforço de reconciliação" com esses "votantes e cidadãos".
"Existirá porventura algum desencanto com a forma como os partidos políticos funcionam", afirmou ainda o porta-voz do PS, prometendo "renovação, modernização" e abertura do partido "à sociedade civil".
Vitalino Canas frisou, a propósito do dirigente do PS e candidato presidencial independente Manuel Alegre, que não haverá "ajustes de contas" e que a direcção socialista "tem enviado repetidas mensagens de que todos os militantes têm lugar no partido, são necessários e importantes".
O porta-voz do PS acrescentou, porém, que a participação dos militantes deve servir para "o que une todos os socialistas, que é o cumprimento do programa eleitoral e do Programa do Governo", que disse ser o principal assunto de discussão na reunião da comissão política.


