PS quer juntar sete mil pessoas no comício de apoio a Sócrates 
05.03.2008 - 08:36 Por Margarida Gomes, Leonete Botelho
O PS está a mobilizar todas as estruturas do partido para o "grande comício nacional" do próximo dia 15 de Março, na Praça de D. João I, no Porto, uma acção partidária que pode vir a representar um teste à popularidade de José Sócrates, numa altura em que os protestos contra as políticas educativas tomam conta das ruas. Ontem foram mais cerca de três mil professores que se manifestaram em Faro.
A decisão de convocar um "grande comício nacional", uma espécie de "toque a rebate" do PS, foi tomada de um momento para o outro, contrariando o inicialmente previsto: jantar do secretário-geral do PS com os militantes do distrito do Porto, primeiro convocado para o próximo sábado, quando professores saem à rua em Lisboa.
Esta coincidência levou o secretariado nacional dos socialistas a substituir o jantar pelo comício, uma decisão que causou embaraços a quem tem a responsabilidade de mobilizar militantes - o objectivo é fazer "um comício com seis a sete mil pessoas", adiantam fontes socialistas - e de preparar a logística da iniciativa. Desde logo, por causa do local. A primeira ideia foi realizar o comício numa grande sala do Porto, mas dificuldades na cedência de espaços como o Coliseu, Pavilhão Rosa Mota, ou Mercado Ferreira Borges levou a organização a arriscar fazer o comício na rua, o que pode funcionar como um teste à popularidade do primeiro-ministro.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, disse ao PÚBLICO que é preciso não dramatizar: "O PS não quer medir forças". "Não temos receios. A democracia portuguesa funciona com toda a normalidade e no dia 15 haverá um comício, teremos gritos do PS e bandeiras a agitarem-se e depois regressaremos todos serenamente para as nossas casas. Nada de pensar em PREC [Período Revolucionário Em Curso], porque o país já não vive no PREC", afirmou.
Menezes discorda de Duarte
Já no PSD, as águas ter-se-ão tornado ontem menos divididas. O presidente do partido disse não concordar com as críticas que o seu porta-voz para a Educação fez à actuação do Presidente da República face ao ambiente de crispação entre os professores, considerando-a de "insustentável condescendência". Mas Luís Filipe Menezes mantém a confiança política em Pedro Duarte. "É um deputado qualificado, tem talento e futuro"; "não é razão para deixar de ser porta-voz para a Educação", afirmou.
Na véspera, já o líder parlamentar, Pedro Santana Lopes, tinha isolado Pedro Duarte, seu vice-presidente de bancada, considerando que as suas declarações foram feitas "a título pessoal". Ontem, Menezes afinou pelo mesmo diapasão, frisando a "liberdade de opinião" dentro do partido, e elogiou a actuação de Cavaco Silva, afirmando-se como "factor de coesão nacional e incentivação do progresso" do país.
Quanto às políticas de educação, Menezes repetiu a "grande contestação" do partido face às grandes linhas seguidas pelo Governo.
A ex-secretária de Estado da Educação Ana Benavente, que não vai ao comício do PS, está a considerar aderir ao protesto dos professores marcado para sábado. "À manifestação em Lisboa só irei se houver um grupo descomprometido com a Fenprof ou de professores socialistas", destacou. Os deputados Manuel Alegre e Teresa Portugal já disseram que não vão, mas não recuam nas críticas que têm feito à política do Governo para a educação.
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