PS: escolha de Ferreira Leite para líder "dá ideia de que a direita regressa ao passado"

22.06.2008 - 17:11 Por Lusa
O PS, um dos partidos que assistiu ao congresso dos social-democratas que hoje terminou em Guimarães, defendeu que a escolha de Manuela Ferreira Leite para a liderança do PSD "dá a ideia de que a direita em Portugal está a regressar ao passado".
Alberto Martins, que encabeçou a delegação do PS presente na sessão de encerramento do congresso, defendeu que a direita, "ao escolher o rosto de Manuela Ferreira Leite [para o PSD] e anteriormente de Paulo Portas [para o CDS/PP], está a regressar ao passado, sem ter medidas consistentes para ajudar a construir o futuro de Portugal".
O socialista lamentou ainda o "discurso negativista" da nova líder social-democrata, que considerou "feito de generalidades e sem propostas concretas".
Alberto Martins reagiu ainda às críticas de Ferreira Leite aos socialistas, nomeadamente à acusação de que o PS ignorou o PSD nos últimos anos. "O PS nunca ignorou nenhum partido democrata nem nenhum cidadão. Prova disso foram os acordos que fizemos no passado com o PSD e que o PSD não cumpriu, infelizmente", respondeu, assegurando que "o diálogo institucional e democrático" faz parte da forma de estar do PS na política.
Questionado sobre a possibilidade de acordos ou entendimentos com o PSD, Alberto Martins respondeu: "Vamos ver. Não há propostas. Vamos esperar por elas".
O CDS-PP, que na reunião do PSD esteve representado por uma delegação presidida por Nuno Melo, disse, por sua vez, que não viu grandes diferenças entre o discurso final de Ferreira Leite e do Governo presidido por José Sócrates em matéria de fiscalidade, de saúde, de educação, de justiça". "Em boa verdade, não notei propriamente uma nota muito diferenciadora face a quem neste momento nos governa", defendeu o democrata-cristão.
"Também lhes digo que me parece que o país está actualmente um bocadinho cansado deste discurso que, alternando eleição após eleição, também não vai trazendo propriamente nada de novo", continuou.
Nuno Melo garantiu que o CDS pretende marcar a diferença e "mostrar que, além desta alternância ao centro, há outras opções e há já uma oportunidade decisiva no ano que vem".
Carlos Gonçalves, que liderou a representação comunista no congresso, afirmou que a reunião dos social-democratas mostrou "a impossibilidade do PSD afirmar as suas posições" face a um PS que "tomou conta da sua função de representar os grandes interesses".
O comunista classificou o encontro como "mais um congresso recorrente", dentro de um ciclo de conturbação interna que demonstra "a impossibilidade do PSD fazer passar a afirmação de que as suas posições são diferentes das do PS". "O PS tomou conta das suas propostas políticas e da representação, que até certa altura lhe competia, do sector social dos grandes interesses", concluiu Carlos Gonçalves.

