O PS concorda com as declarações do líder dos social-democratas, Luís Filipe Menezes, de que o PSD não merece estar à frente dos socialistas nas sondagens, considerando que existe oscilação na agenda política do partido da oposição.
Hoje, durante uma visita ao Bairro do Pica-Pau Amarelo, no concelho de Almada, Menezes afirmou que há "um vazio em Portugal complicado" porque o seu partido "ainda não merece ser Governo" e "o PS já não merece ser Governo".
Menezes disse ainda que a sua opinião sobre o mérito do PSD para ser Governo "não é uma autocrítica em termos pessoais, é uma autocrítica em termos institucionais" ao seu partido.
"Estou em total acordo com as declarações. Considero que o PSD não tem merecido a confiança dos portugueses, tendo em conta a total oscilação a que temos assistido na agenda política do PSD", defendeu o porta-voz dos socialistas, Vitalino Canas, em declarações à Lusa.
Para o porta-voz do PS, existe uma total oscilação na agenda política do PSD que é da responsabilidade do seu líder. "Num dia diz uma coisa e no outro dia outra", salienta Vitalino Canas, acrescentando que o PSD "cola-se à agenda política dos jornais do dia, dos sindicatos, da CGTP, entre outros".
Ontem, em conferência de imprensa na sede do partido, o líder do PSD pediu urgência na aprovação da nova legislação sobre justiça criminal, embora ressalvando a possibilidade de o partido não apoiar as propostas da maioria socialista.
Menezes referiu-se a um conjunto de legislação pendente que é urgente que seja aprovada, composto pela lei orgânica da Polícia Judiciária, a Lei de Bases da Investigação Criminal e a Lei de Segurança Interna.
O líder do PSD adiantou ainda que o partido apenas reclama "alterações de detalhe no que diz respeito à lei de Organização da PJ", mas exige mudanças mais profundas para votar a favor de outros dois diplomas.
Vitalino Canas salienta que a "justiça é um dos sectores, das áreas onde a oscilação da agenda política do PSD é mais evidente". "O PSD assumiu com o PS um acordo sobre legislação vária e tem oscilado ao longo dos tempos ou sobre as políticas ou sobre a posição a tomar em relação a várias medidas", considerou o socialista.
De acordo com Vitalino Canas, em relação a "algumas delas [o líder do PSD] parece não estar disposto a avançar porque são medidas que podem traduzir em alguma dificuldade como é o caso do mapa judiciário". "Se o PSD quer alterar a situação, se quer ser uma alternativa credível, deverá ser um pouco mais congruente e credível no que diz respeito aos portugueses", concluiu.


