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Movimento de cidadãos lança apelo

PS, CDU e BE devem procurar “solução de Governo”

30.09.2009 - 20:18 Por Maria José Oliveira

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Os resultados das legislativas deram à esquerda uma maioria parlamentar Os resultados das legislativas deram à esquerda uma maioria parlamentar (David Clifford (arquivo))
Um movimento de cidadãos oriundos de vários quadrantes ideológicos da esquerda lançaram hoje o apelo para que o “umbigo” de cada partido da esquerda “não seja superior ao interesse nacional”.

Perante os resultados das legislativas, que deram à esquerda uma maioria parlamentar, os subscritores do movimento “Compromisso à Esquerda” defendem um entendimento entre o PS, a CDU e o Bloco de Esquerda (BE) para que seja alcançada uma “solução de governo”, que poderá passar por uma coligação ou por acordos de incidência parlamentar.

Isto mesmo foi apresentado hoje à tarde, numa conferência de imprensa, realizada no café Martinho da Arcada, em Lisboa, que reuniu alguns dos promotores da iniciativa, como o sindicalista Ulisses Garrido, a actriz e encenadora Maria do Céu Guerra, o ex-membro do Comité Central do PCP Fernando Vicente, e os professores universitários Ana Paula Fitas e André Freire.

No manifesto “Compromisso à Esquerda – Apelo à estabilidade governativa” (disponível no site www.compromissoaesquerda.com), os signatários escrevem que os resultados de domingo revelam que os eleitores têm “uma inquestionável vontade de entendimento entre os partidos da esquerda”.

Afirmação que André Freire justificou com as indicações dadas pelas sondagens, nas quais os inquiridos declararam preferir, na eventualidade de o PS vencer sem maioria absoluta, alianças à esquerda.

Os subscritores deste apelo rejeitam para já imputar ao PS a responsabilidade de avançar com prováveis entendimentos com o BE e com a CDU, optando por afirmar, como o fez Ana Paula Fitas, que a “abertura” e “boa-fé” devem partir das três forças. “Seria um sinal de maturidade política e democrática se as esquerdas se decidissem agora por uma união”, sustentou a investigadora.

Por ora, os autores do apelo defendem que os partidos “não devem fechar-se nos seus casulos”, notou Garrido, e têm agora a oportunidade para contrariar um afastamento com mais de 30 anos. “A situação portuguesa é minoritária na Europa”, lembrou Freire, apontando os entendimentos à esquerda no Chipre, em Espanha, em França, na Itália. “A cooperação entre partidos não resulta no fim das identidades partidárias”, acrescentou. E neste argumento foi secundado por Camilo Mortágua, fundador da LUAR e agente de desenvolvimento local, que lamentou a “dificuldade de trabalhar em equipa e a falta de assimilação da chamada cooperação conflitual”.

A votação no CDS/PP, que alcançou o terceiro lugar nas legislativas, e a possibilidade de o PS optar por firmar mais acordos à direita, esteve também na origem desta iniciativa. Mas os criadores desta iniciativa entendem que o PS “tem demonstrado disponibilidade” para que os diálogos sejam feitos preferencialmente com a esquerda. E desvalorizam as “reacções tradicionais” do BE e da CDU, que já admitiram confrontos futuros com o Governo minoritário do PS. “São reacções tradicionais. É uma afirmação identitária de cada uma das forças políticas”, comentou Ana Paula Fitas.

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