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Líder do PSD questionou se "não é bom haver seis meses sem democracia"

PS acusa Ferreira Leite de falta de cultura democrática e cívica

18.11.2008 - 18:36 Por Lusa

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Para Alberto Martins, as declarações da líder do PSD surgem na sequência "de atitudes anteriores que têm já um traço muito significativo" Para Alberto Martins, as declarações da líder do PSD surgem na sequência "de atitudes anteriores que têm já um traço muito significativo" (Miguel Madeira)
O PS acusou hoje Manuela Ferreira Leite, de revelar ausência de cultura democrática e cívica. A reacção socialista surge depois da líder do PSD ter questionado se "não é bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", num comentário às reformas que o actual Governo tem realizado em áreas como a justiça, educação ou saúde.

Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Ferreira Leite declarou no final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...". "Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".

Em reacção a estas declarações, o presidente do grupo parlamentar do PS, Alberto Martins, manifestou o "repúdio veemente" dos socialistas, considerando que as palavras de Ferreira Leite "são antidemocráticas, reveladoras de uma cultura autoritária e de ausência de cultura cívica". "A democracia não pode ter intervalos de seis meses. O contrário da democracia é a ditadura - e só quem não sabe o que foi a ditadura pode admitir intervalos lúcidos para a democracia", contrapôs o líder da bancada socialista.

De acordo com Alberto Martins, estas declarações "inaceitáveis" da líder social-democrata surgem na sequência "de atitudes anteriores que têm já um traço muito significativo". "A suspensão de um deputado [do PND] na Madeira, as declarações xenófobas sobre ucranianos e cabo-verdianos, a insensibilidade social com o aumento do rendimento mínimo e o silêncio cúmplice com o Banco Português de Negócios são traços distintivos de uma atitude não democrática e não responsável por parte da líder do PSD", acusou ainda Alberto Martins.

Confrontado com a hipótese de Ferreira Leite estar apenas a usar a ironia quando se referiu a um hipotético período de seis meses sem democracia, o líder da bancada socialista reiterou as suas críticas. "Não há ironia quando se apela a uma ideia de interrupção da democracia. A democracia custou muito a construir aos portugueses, é uma ética e uma técnica, uma forma de Governo e um conjunto de valores - e um dos valores essenciais é o da liberdade", respondeu.

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