O processo de escolha do novo provedor fez azedar as relações entre os dois maiores partidos, com as acusações a subir de tom entre PS e PSD. Se ao fim da manhã o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, acusou os social-democratas de não terem sido “um parceiro fiável”, o presidente da bancada do PSD, Paulo Rangel, foi rápido a responder: “Só exijo que [Alberto Martins] fale verdade e não ponha em causa a minha honorabilidade.” E acusou a maioria de estar a “partidarizar” uma “questão de Estado” como é o provedor de Justiça.
“O PS e o seu grupo parlamentar estão a instrumentalizar uma questão de Estado que é importantíssima e isso é inaceitável”, declarou Paulo Rangel que, apesar do “maior respeito” que tem por Alberto Martins, exigiu-lhe que “fale verdade”.
O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, aponta o dedo ao PSD pela ruptura nas negociações para a designação do novo provedor de Justiça e afirma que “é muito difícil dialogar” com o maior partido da oposição. “O PSD não tem sido um parceiro fiável” nas conversações parlamentares, afirmou Alberto Martins à saída da reunião da bancada socialista, onde este assunto foi um dos dominantes.
Para sustentar a sua acusação, lembrou que o PSD já rompeu dois acordos nesta legislatura: o Pacto de Justiça, cujo “acordo foi celebrado de forma solene e a certa altura o PSD decidiu denunciar” e o projecto conjunto apresentado para a revisão da lei eleitoral autárquica, “que o PSD denunciou já depois de ter sido aprovado na generalidade”.
Segundo Alberto Martins, o mesmo aconteceu agora nas conversações bilaterais para encontrar um substituto para Nascimento Rodrigues, cujo mandato acabou em Julho passado. “O professor Jorge Miranda tinha aceite ser candidato a provedor de Justiça na presunção do consenso que estava estabelecido”, afirma, deixando pressupor que existia um acordo de princípio com o líder parlamentar social-democrata em torno deste nome.


