O primeiro-ministro, José Sócrates, defendeu hoje que a greve de ontem, convocada pela CGTP, “não foi geral” e o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou-o de “miopia política”.
No debate mensal na Assembleia da República, José Sócrates e Jerónimo de Sousa desentenderam-se sobre a adesão à greve e sobre o apoio dos portugueses ao Governo.
Sustentando que “a realidade desmente” os objectivos de modernidade anunciados pelo executivo, o secretário-geral do PCP introduziu a greve no debate e apontou-a como um sinal da “forte contestação” às políticas governamentais.
“Foi a maior manifestação de descontentamento nestes dois anos. Foi a maior greve com que os governos do PS foram confrontados”, declarou, lamentando que o executivo queira “prosseguir como se nada tivesse acontecido” e acusando-o de cair na “miopia política” em que caíram “outros governos”.
Jerónimo lembra gafe de Mário Lino
Jerónimo de Sousa sublinhou que, apesar disso, foram destacados “sete governantes para falar à comunicação social” sobre a greve, que depois usaram um discurso “próximo da tese do deserto do ministro das Obras Públicas”.
“O ministro das Obras Públicas não vê pessoas na margem Sul. Alguns ministros e secretários de Estado mal viram trabalhadores em greve. Disseram que só existia greve geral se parasse tudo. Isso nunca aconteceu aqui nem em qualquer parte do mundo”, alegou.
O primeiro-ministro aconselhou “humildade” ao líder comunista, repetindo a ideia usada noutros debates mensais de que o PCP não pode pretender falar em nome da maioria dos trabalhadores nem dar lições de esquerda, até pelo número de eleitores que representa.
Sócrates foi aplaudido pela maioria parlamentar socialista quando frisou que não existe “unicidade sindical” e contestou que a CGTP convoque sozinha uma greve e diga “que a greve é geral”.
Sócrates apoia-se nas sondagens
“Os portugueses viram bem que se houve coisa que se passou é que a greve não foi geral”, sustentou, recomendando aos comunistas que “olhem para os resultados” e reflictam se “a justificação da greve estava ou não no coração dos trabalhadores”.
“Muitos olharam para ela não concordando com a sua realização”, referiu.
A existência de uma insatisfação geral em relação ao Governo “para mim não é evidente”, concluiu Sócrates, indicando mais tarde as sondagens como sinal de apoio da população ao executivo.


