Primeiro-ministro confiante que lei seja cumprida relativamente a escutas telefónicas

22.10.2007 - 17:33 Por Lusa
O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje esperar que a lei seja cumprida relativamente às escutas telefónicas, mas não se mostrou preocupado com as declarações do Procurador-Geral da República sobre um alegado exagero no recurso a este meio excepcional de prova.
À margem da apresentação do balanço do Plano Nacional de Leitura, em Lisboa, o primeiro-ministro foi instado pelos jornalistas a comentar as recentes declarações do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, sobre escutas telefónicas em Portugal.
Em entrevista ao semanário “Sol”, publicada no último sábado, Pinto Monteiro afirmou que "as escutas em Portugal são feitas exageradamente” e que tinha “muitas dúvidas que não tenha telefones sob escuta".
Declarando não ter comentários a fazer sobre o assunto, José Sócrates disse apenas que "o Governo deseja que a lei seja cumprida" e acrescentou que "o ministro [da Justiça] já disse que estava disponível para ir à Assembleia da República prestar todos os esclarecimentos necessários". Questionado sobre se vê o caso com preocupação, respondeu que "não".
Entretanto, o Procurador-Geral da República disse estar disponível para prestar esclarecimentos no Parlamento, caso seja essa a vontade dos deputados, a propósito das declarações que prestou. "O Procurador-Geral da República irá ou não à Assembleia da República conforme o Parlamento o decidir", disse fonte da Procuradoria à Lusa, a propósito do pedido do CDS-PP para que Pinto Monteiro seja ouvido, com carácter de urgência, na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, depois deste ter admitido que o seu telemóvel pode estar sob escuta.
O CDS-PP entregou hoje no Parlamento o requerimento que formaliza o pedido de audições de Pinto Monteiro, do ministro da Justiça, Alberto Costa, e do presidente do Conselho Superior da Magistratura, Noronha do Nascimento.
No requerimento, assinado pelo deputado Nuno Melo, o CDS-PP sublinha que a Constituição "consagra o princípio da inviolabilidade do domicílio e da correspondência como direito fundamental".

