A corrente Ruptura/FER (Frente de Esquerda Revolucionária), liderada por Gil Garcia, prepara-se para romper com o Bloco de Esquerda ao fazer depender a sua continuidade de uma aliança com o PCP, cenário que está excluído.
Este ultimato político da Ruptura/FER ainda não foi comunicado formalmente à direcção do Bloco de Esquerda, mas a linha estratégica foi assumida publicamente sábado passado por Gil Garcia, durante a festa anual desta corrente interna do BE, na Voz do Operário, em Lisboa.
Na sua intervenção, à qual a agência Lusa teve acesso, o líder da Ruptura/FER avisa que irá dar “uma derradeira” oportunidade à direcção liderada por Francisco Louçã, durante a Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, dias 14 e 15 de Maio.
“Nós vamos dar uma derradeira batalha dentro da próxima convenção do Bloco de Esquerda, porque se não a fizerem [plataforma comum com o PCP], então sim, não resta outro caminho senão as manifestações e construir uma nova força política de esquerda que os obrigue a fazer e que entre em cena na luta política. É isso que estamos empenhados em fazer(…)”, declara Gil Garcia, que recebeu palmas dos seus apoiantes.
Num discurso em que acusou os partidos do sistema – PS, PSD e CDS – de permitirem que se “roube à fartazana”, dando como exemplo o caso BPN, o líder da Ruptura/FER mostrou-se depois indignado por não haver passos em concreto na formação de uma alternativa conjunta de Governo entre o Bloco de Esquerda e PCP, partidos que frisou representarem 20 por cento em Portugal.
“Porque raio o Bloco de Esquerda e o PCP nunca se entendem para criarem uma plataforma de Governo?”, questionou Gil Garcia.
Perante esta posição da corrente Ruptura/FER, elementos da direcção do Bloco de Esquerda contactados pela agência Lusa disseram ter conhecimento das palavras de Gil Garcia, observaram que esta tendência apresenta uma moção de estratégia à próxima convenção do BE, mas preferiram, por agora, não fazer qualquer comentário.
Já pela parte do PCP, o secretário-geral Jerónimo de Sousa, em declarações aos jornalistas, na segunda-feira, afastou por completo uma possível aliança eleitoral com o Bloco de Esquerda, elogiando antes o trabalho político no âmbito da CDU com o Partido Ecologista “Os Verdes” e a Intervenção Democrática.


