Presidente elogiou “porte agreste” e “alma sensível” dos transmontanos

17.06.2009 - 14:29 Por Lusa, Público
O Presidente da República inaugurou hoje a Biblioteca Adriano Moreira, em Bragança, e agradeceu ao professor catedrático a “prova de devoção à terra dos seus antepassados”, traduzida na doação do seu espólio ao município.
Na nova biblioteca, situada no antigo colégio dos Jesuítas, Cavaco Silva citou Adriano Moreira para alertar os responsáveis pela coisa pública para que não “percam o tempo dos outros”: “Nas suas avisadas palavras é absolutamente inadmissível que alguém, sobretudo quando é responsável pela coisa pública, perca o tempo dos outros, porque o tempo dos outros é o futuro de todos.”
O homenageado agradeceu ao Presidente a sua presença na inauguração da biblioteca, sublinhando que este acto representa também a “luta contra os políticos que são altamente responsáveis pela interioridade”.
Adriano Moreira (1922) nasceu em Grijó, aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, mas no ano passado o antigo presidente do CDS-PP anunciou que gostaria de entregar o seu espólio bibliográfico à autarquia de Bragança. A biblioteca que hoje abriu as portas possui, para além de uma vasta colecção de livros, diversas condecorações, diplomas e atribuições honoríficas.
Em Bragança, Cavaco Silva inaugurou também a Avenida Cidade Leon, e no topo desta nova rua, presidiu também à inauguração de um exemplo das tradições e cultura comuns entre os dois lados da fronteira, personificadas nas esculturas de dois caretos com dois metros de altura.
O monumento aos tradicionais mascarados de Bragança e Zamora são da autoria de Manuel Barroco e está ladeado por exemplares das máscaras típicas das duas regiões, que estudam a possibilidade de candidatar este espólio comum a Património da Humanidade.
O Presidente esteve depois na sede portuguesa da Fundação Rei Afonso Henriques, na zona histórica de Bragança. Uma instituição que, disse, “aprofundando as relações entre os lados da fronteira contribui para o desenvolvimento económico, social e cultural do Vale do Douro”.
“Eis aquilo que Bragança e esta região mais necessitam: formas inovadoras de valorização do seu património e de dinamização das suas capacidades, consistentes com uma acrescida centralidade no contexto ibérico e uma maior proximidade ao centro da Europa”, considerou o chefe de Estado.
Cavaco Silva referiu-se depois à “pátria pequenina que é Trás-os-Montes de vida austera, que produz homens de porte agreste e alma sensível, onde nasceram, ao longo dos séculos, portugueses que interpretam, como poucos, o sentido de dever e da honra”.

