Presidente defende diálogo entre empresas e trabalhadores para evitar fechos

09.03.2009 - 12:10 Por Lusa
O Presidente da República, Cavaco Silva defendeu hoje em Barcelos a necessidade de "um diálogo mais aberto e franco entre empresários e trabalhadores para evitar o encerramento de empresas".
"Às vezes, um diálogo aberto entre os empresários e os representantes dos trabalhadores, expondo as condições da empresa, evita o seu encerramento", afirmou, frisando que depois de fechar torna-se muito difícil a reabertura de uma empresa. O chefe de Estado falava a um grupo de algumas dezenas de trabalhadores que se juntou à porta da Câmara Municipal de Barcelos com cartazes contra o alegado despedimento ilegal de que foram vítimas nas empresas TOR e Carfer.
Cavaco Silva, que havia acabado de sair de uma reunião com a União de Sindicatos de Braga para debater a situação laboral do distrito, tentou confortar os trabalhadores: "deixo-vos a minha solidariedade, o que é pouco, mas não tenho mais para dar", afirmou. "Olhe por nós, pela classe operária, estamos a viver uma situação traumatizante", disse uma das manifestantes, pedindo que "as empresas que despedem funcionários sem razão sejam investigadas".
Na reunião com os sindicatos participaram o secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, o presidente da Câmara de Barcelos, Fernando Reis, o presidente do Instituto de Segurança Social, Edmundo Martinho, e o coordenador da União de Sindicatos, Adão Mendes.
Vale do Cávado
Adão Mendes disse que o organismo sindical propôs ao Presidente da República um pacote de medidas de apoio à indústria têxtil e da cerâmica do Vale do Cávado: "precisamos de orientar o QREN para o apoio às empresas", defendeu. A União de Sindicatos pretende, ainda, que o Governo crie medidas de apoio social para os desempregados, nomeadamente a criação de postos de trabalho no chamado sector social, e o lançamento de um Observatório do Emprego no qual participem todos os parceiros sociais.
Outro dos objectivos é a suspensão do PEC - Pagamento Especial por Conta, e o pagamento do IVA ao Estado apenas quando as empresas recebem dos clientes. Os sindicatos de Braga pretendem ainda que o Governo defina um plano de apoio específico à região norte, nomeadamente aos vales do Ave e Cávado.
A deslocação do Presidente da República ao distrito de Braga inclui deslocações à empresa de confecções Silsa, de Barcelos - que Cavaco Silva apontou como um "bom exemplo" na conversa mantida com os manifestantes - e ao Banco Alimentar contra a Fome, em Braga. A iniciativa faz parte da quinta jornada do Roteiro para a Inclusão que a Presidência da Republica realiza, dedicado ao desemprego e aos novos riscos de pobreza, e que assinala os seus três anos de mandato.

