O presidente da RTP disse esta tarde que aconselha "grande prudência em relação à privatização" de um canal do grupo público.
Guilherme Costa está a participar na conferência Serviço Público de Comunicação Social - Reestruturação da RTP que decorre no ISCSP e defendeu, na sua intervenção inicial, que a questão da privatização da RTP não pode ser vista apenas pelo lado dos custos.
A "decisão política [de privatizar o grosso da actividade da RTP] não deve ser justificada pelo custo, por estar desajustada", defendeu o presidente.
"Quando oiço dizer que a RTP não serve para nada e que por isso se deve fechar, eu pergunto: Onde está o respeito pelos telespectadores? Não percebo esta lógica quando quase um terço dos telespectadores vem da RTP", afirmou Guilherme Costa. E foi para combater esta tirania dos números que especificou que comparando o custo médio por ponto de audiência da RTP com os dois operadores privados, o da televisão pública "é mais caro, mas a diferença não chega a 15%", quando a média em outros países "é de 20%".
O custo associado a estes 15%, adiantou, é de 25 milhões de euros, mas a "RTP tem sobrecustos e responsabilidades de serviço público que os privados não têm". Daí que Guilherme Costa peça que se crie uma "métrica das funções de serviço público" para averiguar se esse dinheiro é ou não bem empregue.
Guilherme Costa considera que o argumento financeiro para fechar um canal "não faz sentido nenhum. Significa uma redução drástica da escolha dos espectadores e uma perda de valor económico, prejuízo para o Estado e para o contribuinte." Mais: "Reduzir a RTP a um serviço residual é quase a mesma coisa [que a fechar]".


