O Presidente da República defendeu hoje a promoção de uma discussão serena sobre o futuro da Europa, lamentando que questões de conjuntura política interna, medos, ressentimentos nacionais e querelas partidárias estejam a "dominar o debate e orientar opções", quando "deveriam ser irrelevantes para uma discussão coerente acerca do futuro da Europa".
Durante o seu discurso por ocasião do 10 de Junho, Jorge Sampaio caracterizou, em Guimarães, o momento actual como "um tempo de incerteza e de pessimismo, em Portugal e na Europa", mas realçou que "o pessimismo é mau conselheiro",
"Temos de transformar o tempo de incerteza num tempo de confiança e de esperança. Precisamos de não nos submeter às ladainhas dos profissionais da desgraça para podermos recuperar o espírito e a vontade indispensáveis para transformar a crise e a incerteza em oportunidades de mudança", frisou.
Para o chefe de Estado, os portugueses terão sido "surpreendidos por um breve momento de cansaço ou de desatenção", mas agora têm de "recuperar forças e voltar a ousar", para descobrir, novamente, o sentido profundo do seu sentido colectivo.
Jorge Sampaio explicou que quis regressar a Guimarães no seu último 10 de Junho como Presidente da República porque a cidade simboliza o princípio de Portugal como Estado soberano e independente.
"Alguns já disseram que a obra que, no passado, realizámos foi porventura excessiva para a nossa dimensão. Mas foi ela que nos fez ir além dos nossos limites", frisou.
"Temos de enfrentar os problemas e agir profundamente e sem demora”
O Presidente da República lamentou que, nos últimos anos, Portugal não tenha conseguido "definir bem" as estratégias indispensáveis para se adaptar rapidamente às mudanças pós-Guerra Fria, "que se aceleraram, com forte intensidade, desde o 11 de Setembro".
"Não conseguimos ultrapassar o peso das forças corporativas e dos interesses instalados que bloqueiam, por exemplo, a modernização das instituições democráticas, do sistema judicial, da universidade ou das próprias estruturas empresariais e produtivas", referiu.
"Temos de enfrentar os problemas e agir profundamente e sem demora", sublinhou Sampaio, para quem "as medidas para combater o défice do Estado são indispensáveis".
Para o chefe de Estado, "é possível aumentar a carga fiscal e, simultaneamente, aumentar a produtividade e a competitividade da economia portuguesa", mas é necessário também reduzir a despesa, para que o Estado dê o "exemplo" aos cidadãos.
Após o discurso de Jorge Sampaio, foram entregues 57 das 59 condecorações previstas, tendo faltado à entrega, por ausência no estrangeiro, o treinador de futebol José Mourinho e a família do combatente anti-fascista José Rabaça.
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