Presidente da Ongoing contraria Bava e nega investimento da PT no grupo

16.03.2010 - 18:12 Por Maria Lopes
Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing, negou esta tarde que a Portugal Telecom tenha feito algum investimento no seu grupo, contrariando o que Zeinal Bava declarara na passada semana.
Questionado pelos deputados sobre o investimento do fundo de pensões da PT em fundos geridos pela Ongoing, Nuno Vasconcellos garantiu que "nenhuma empresa do grupo Ongoing foi objecto de qualquer investimento directo ou indirecto da PT, do fundo de pensões da PT ou de qualquer outra empresa do universo PT".
Na passada semana, o presidente executivo da PT confirmou, na sua audição, que "a PT fez investimento no fundo da Ongoing" - sem especificar exactamente em qual dos "braços" da Ongoing -, mas sob a condição de esses fundos aplicados "não serem usados num investimento para comprar a Media Capital ou a TVI". Adiantou que "qualquer investimento tem que passar pela comissão de investimentos", pelo que "se existirem investimentos com que a PT não concorde, pode recusar", especificou Zeinal Bava.
À saída da audição, Nuno Vasconcellos especificou ao PÚBLICO que o investimento da PT foi feito numa empresa gestora de investimentos chamada Ongoing International Partners, com sede no Luxemburgo, que apesar do nome incluir Ongoing, "não pertence ao grupo Ongoing" a que Vascocellos preside, mas apenas à sua família, a Rocha dos Santos, e que "nem sequer tem ninguém da família na sua gestão". "A Ongoing International Partners é o braço financeiro", acrescentou.
A PT investiu 75 milhões de euros no primeiro semestre de 2009 e foram aplicados, em três tranches, em veículos de private equity geridos pela Ongoing International. As aplicações foram feitas pela Previsão, a sociedade que gere os fundos de pensões e de saúde da operadora de telecomunicações, liderada por Soares Carneiro, que também faz parte da administração executiva da PT, liderada por Zeinal Bava. Os fundos de saúde estão, por sua vez, alocados na PT Prestações.
Esta aplicação foi contestada pelo representante da Caixa Geral de Depósitos (CGD) nos órgãos sociais da operadora. O banco do Estado, que controla 7,28 por cento da operadora, entendeu que as aplicações que foram canalizadas pela PT Prestações (PTP) deveriam ter passado pelo crivo do comité de investimentos da empresa, o que não aconteceu.
Notícia corrigida às 19h45

