Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing, classifica a gestão de Francisco Pinto Balsemão à frente da Impresa como incompetente, a quem acusa de destruir, em dez anos, 75 por cento do valor da empresa.
"O presidente da Impresa é o príncipe da comunicação social; o que eu sei fazer e o meu pai já fazia neste grupo é gestão, management", comentou Nuno Vasconcellos. "Em 10 anos, 75 por cento do valor dos accionistas foi destruído. Só significa que a gestão não foi feita criteriosamente. As administrações não preservam nem valorizam as posições dos accionistas", afirmou. "Aqui há incompetência", rematou.
Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial da Impresa não quis comentar as declarações do presidente da Ongoing, dizendo apenas que "os resultados financeiros do grupo Impresa falam por si".
O pai de Nuno Vasconcellos foi vice-presidente de Francisco Pinto Balsemão na Impresa até 2008. E foi também em Julho de 2008 que a Ongoing liderada já por Nuno Vasconcellos entrou no capital da Impresa então com uma quota de 6.07 por cento, que foi reforçando consecutivamente, superando já a barreira dos 20 por cento.
O responsável da Ongoing descreveu na Comissão de Ética, onde está a ser ouvido há duas horas, os sucessivos contactos que manteve com Balsemão para ajudar o patrão da Impresa a melhorar a situação financeira do grupo de comunicação social. Esclareceu que "nunca foi proposto ou equacionado o afastamento dos filhos do presidente da administração" e que o controlo do grupo passaria a ser feito de forma dividida emtre a Impresa e a Impreger através de uma nova empresa participada por ambas.
Contou que "o montante que consideraria ideal era de 100 milhões de euros: pus 70 milhões porque esse montante permitiria que fosse acompanhado pelo presidente da empresa [Balsemão]". E acrescentou que apesar de ter sido "uma proposta de natureza privada", a Ongoing acabou por saber a resposta "através dos meios do grupo [Impresa]".
Nuno Vasconcellos lembrou que o director do Expresso, na sua audição na Comissão, "disse que a entrada da Ongoing iria descaracterizar o grupo", declaração que o presidente da Ongoing considera que "só pode ser colocada no domínio do delírio".


