Visto por razões humanitárias

Portugal acolhe dois detidos sírios vindos de Guantánamo

07.08.2009 - 14:47 Por Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  1 votos 
Antigos prisioneiros receberão visto para entrar no país Antigos prisioneiros receberão visto para entrar no país (Marc Serota (Reuters))
Portugal vai acolher dois detidos do campo de detenção de Guantánamo de nacionalidade síria, ao abrigo de um visto por razões humanitárias, informou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado.

"O Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Administração Interna confirmam a decisão do governo português de acolher em Portugal dois cidadãos sírios detidos em Guantánamo", lê-se no comunicado.

Segundo o comunicado, "a decisão sobre o estatuto legal a conceder a estas pessoas obedece ao disposto no artigo 68.º da lei 23/2007 de 4 de Julho", norma que, acrescenta o texto, é "aplicável no caso" e "prevê um visto especial que permite a sua entrada em território nacional".

A legislação apontada é a lei sobre imigração que, no seu artigo 68.º, prevê que "por razões humanitárias ou de interesse nacional (...) pode ser concedido um visto especial para entrada e permanência temporária no país a cidadãos estrangeiros".

Portugal tomou a iniciativa, em Dezembro passado, de acolher detidos de Guantanamo no contexto de uma iniciativa europeia para ajudar os Estados Unidos a encerrarem aquele campo de detenção de suspeitos de terrorismo criado em 2002 numa base militar norte-americana em Cuba.

Em causa estão cerca de meia centena de detidos ilibados de quaisquer acusações de terrorismo mas que não podem ser devolvidos aos seus países de origem dado o risco de perseguição.

A decisão agora tomada pelo governo português segue-se à aprovação, em Junho, de um quadro comum a nível europeu e da visita a Lisboa do enviado especial dos Estados Unidos para o encerramento de Guantanamo, Daniel Fried, que, confirma o comunicado, "apresentou ao governo português um pedido específico no tocante ao acolhimento de detidos de Guantánamo".

O texto hoje divulgado pelo MNE salienta que a decisão agora tomada concilia "as diferentes vertentes da questão", citando "a vertente humanitária e das relações externas, a salvaguarda dos aspectos relacionados com a segurança (e) as perspectivas de sucesso na integração dos ex-detidos escolhidos".

"O fecho do Centro de Detenção de Guantanamo tem um alcance inegável. Trata-se de um marco para a revitalização das relações transatlânticas e de uma vitória para todos aqueles que defendem e promovem o respeito dos direitos humanos no quadro da luta contra o terrorismo", conclui o texto.

Estatísticas

  • 10 leitores
  • 135 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1395170

Comentário + votado

t

Abu hurro, por acaso nao votamos no tratado de Lisboa. Os unicos que tiveram essa sorte foram os ...

Sousa da Ponte

09.08.2009 12:45

X

Mais em Política (7 de 8 artigos)

Listas provocam baixa na distrital de Lisboa do PSD