Portas usou critérios definidos por Governo PS para comprar submarinos

31.03.2010 - 14:57 Por Nuno Simas
Paulo Portas, ex-ministro da Defesa e deputado do CDS, garantiu hoje ter tomado a sua decisão sobre a compra, em 2003, de dois submarinos ao consórcio alemão com base em seis critérios definidos, em 1998, por um Governo do PS de António Guterres.
E afirmou jamais ter falado sobre “capacidade submarina” das Forças Armadas com o cônsul honorário em Munique, suspeito de ter recebido um suborno de 1,6 milhões de euros, conforme noticiou terça-feira a revista alemã Der Spiegel. Do cônsul afirmou que se lembra apenas de ter recebido cumprimentos no aeroporto de Munique quando foi participar numa conferência sobre defesa e segurança.
Numa conferência de imprensa no Parlamento marcada com cinco minutos de antecedência, o líder e deputado do CDS-PP lembrou que quando chegou ao Governo já o concurso “estava em fase final” e a decisão foi tomada por seis critérios, tendo o consórcio alemão vencido em quatro deles e o consórcio francês em dois.
Além do mais, quando chegou à pasta da Defesa, num Governo de coligação liderado por Durão Barroso, hoje presidente da Comissão Europeia, lembrou ter decidido passar da encomenda de três para dois submarinos, “poupando-se cerca de 180 milhões de euros”. Mesmo no processo a decorrer em Portugal, Portas lembrou que jamais foi ouvido: “Nunca fui questionado.”
De resto, sobre o cônsul honorário português em Munique, o líder democrata-cristão afirmou que apenas o viu quando uma vez lhe apresentou cumprimentos quando foi aquela cidade participar numa conferência. “Cumprimentou-me e perguntou se precisávamos de algo mais. Eu disse que não”.

