Portas apresenta "conta" de 1.500 milhões por Sócrates não saber prever

15.10.2010 - 11:51 Por Nuno Simas
Paulo Portas quis que José Sócrates dissesse “não fui capaz de prever” em Maio o que iria acontecer à economia portuguesa. O primeiro-ministro não disse. Antes acusou o presidente do CDS-PP de ser um “profeta do dia seguinte”, usando um termo muito utilizado na I República.
Tudo por causa da taxa de juro aplicada à dívida pública, que aumentou de Maio para Outubro e fez despender mais de 1.500 milhões de euros. E confrontou o Governo com as acusações de “demagogia” do PS por o CDS ter proposto um corte de 25 por cento no número de gestores e administradores públicos e agora propor um corte de 20 por cento.
Para o fim, ficou o desafio: Portas quis que Sócrates esclarecesse o caso do deputado Vítor Baptista que acusou o dirigente socialista André Figueiredo de tráfico de influências a propósito das eleições internas para a Federação Distrital de Coimbra. “O deputado está ali”, disse Portas, apontando para a bancada do PS”. “O primeiro-ministro está aí e o assessor deve andar por aí.” Sócrates não respondeu. Já não tinha tempo.
O chefe do Governo respondeu, sim, a Paulo Portas acusando o CDS de, em Dezembro de 2009, ter feito propostas no Parlamento que baixavam impostos e aumentavam a receita. E acusou Portas de, no Governo, pouco ou nada ter feito para reduzir o número de gestores. O que valeu uma frase de resposta de Paulo Portas: “Ó senhor primeiro-ministro, não seja Calimero.”

