Reunião de sociais-democratas em Alvaiázere

"Ponham os olhos no PS, caramba!"

23.11.2009 - 08:00 Por Graça Barbosa Ribeiro

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A noite já caiu, faz frio na sede do PSD de Alvaiázere e há longos minutos que o ex-vereador Carlos Graça tenta explicar o seu ponto de vista. Até que, de repente, ergue ligeiramente a voz: "Ponham os olhos no PS, caramba! Tem um líder, tem uma estratégia e está tudo unido!".

Sentados nas cadeiras dispostas em círculo, outros militantes sociais-democratas acenam em sinal de concordância. Um ainda arrisca pronunciar o nome de Manuel Alegre, para acentuar que no PS também há divisões, mas Carlos Graça riposta, rápido: "E apesar disso esteve ao lado do Sócrates, na campanha!"

O grupo não é tão alargado como o presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Alvaiázere, João Guerreiro, gostaria: "É uma altura má. Primeiro foram as vindimas, agora a apanha da azeitona..." Ainda assim, fez reunir mais de uma dezena de militantes e simpatizantes dispostos a mostrarem como é que o partido é visto a partir daquele concelho do Pinhal Interior, no distrito de Leiria, que sistematicamente oferece ao PSD votações históricas em termos percentuais.

Em 2005, numas legislativas em que o partido não chegou aos 29 por cento, Santana Lopes conseguiu ali 64,5 por cento dos votos; e Manuela Ferreira Leite, apesar de ter dificultado a campanha por ser contra o IC3, ainda alcançou os 54,5 por cento. Mas isto não significa, percebe-se rapidamente, que a actual presidente do PSD seja querida em Alvaiázere, um concelho com cerca de 7000 eleitores.

José Guerreiro, que durante 30 anos foi presidente da concelhia, é especialmente duro quando diz que "com outro líder o PSD tinha ganho as legislativas". Poder-se-ia considerar suspeito, já que apoiou Luís Filipe Menezes e, depois, Santana Lopes, em quem votou nas últimas eleições directas do PSD. A opinião, no entanto, é partilhada por Carlos Graça, engenheiro mecânico, de 59 anos, que apoiou Ferreira Leite nas mesmas eleições internas. "Foi uma campanha fraquíssima, a senhora foi incapaz de passar a mensagem", lamenta.

As razões do insucesso fazem animar a sala. João Gomes, de 27 anos de idade e assessor da administração de uma empresa de Lisboa, ainda diz que "depois das eleições é fácil falar". Mas respondem-lhe que, na verdade, já todos falavam antes.

Eduardo Craveiro, administrativo, de 46 anos, lamenta que a presidente do PSD que ajudou a eleger não tenha sabido "tomar as rédeas do partido" e se tenha mostrado "centralista", "ignorando as bases", que, alerta, "são a garantia da vitalidade do partido"; Manuel Lourenço, engenheiro agrónomo de 25 anos, acredita que Ferreira Leite falhou quando se mostrou "incapaz de unir o PSD" e por apostar numa campanha "pequenina e modesta, fugindo aos comícios", que, na sua opinião, "transmitem uma imagem de força e de dinamismo".

Durante alguns momentos dispensam-se raciocínios mais elaborados sobre a responsabilidade de Ferreira Leite na derrota. "Não tem carisma", resume José Guerreiro, ex-presidente da concelhia; "a idade pesa-lhe", avalia Carlos Trindade, comerciante, de 34 anos; "não é uma figura agradável, ao contrário do Rangel, que é um gordinho simpático; do Paulo Portas, que é um galã; e do Sócrates, que até foi eleito o mais sexy", continua Carlos Graça, provocando risos.

Mais a sério, José Guerreiro cita outro factor que na sua perspectiva contribuiu para a derrota nas legislativas: "a intervenção de Cavaco Silva" que, lembra, "também já tinha puxado o tapete a Fernando Nogueira e a Santana Lopes". Já Carlos Graça aponta o dedo a Passos Coelho e a Luís Filipe Menezes, frisando que "nos intervalos entre congressos os candidatos derrotados à liderança do PSD não podem andar a beliscar quem está no poder". João Gomes concorda: "Não pode ser assim: o Pedro Passos Coelho e o Marcelo Rebelo de Sousa nem deixaram assentar a poeira!", critica.

Manuel Lourenço também pensa que "é essencial que o próximo líder saiba unir o partido", "eventualmente, juntando elementos das várias correntes na direcção"; e Carlos Graça não vê por que há-de ser tão difícil "resolver os problemas dentro de casa": "Ponham os olhos no PS, caramba!".

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A frase

A frase infeliz deste "político". O psd está cheio destes ...

vilela

23.11.2009 11:21

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