Plataforma pró-referendo pede para que se volte "a ouvir o povo"

06.01.2010 - 08:37 Por Maria José Oliveira

  • Votar 
  •  | 
  •  4 votos 
A Plataforma Cidadania e Casamento acredita que o debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo "só agora vai começar" e que o Parlamento terá de ouvir "o grito popular" traduzido na petição pró-referendo, que recolheu cerca de 90 mil assinaturas.

O documento foi entregue ontem ao presidente da Assembleia da República (AR), Jaime Gama, por representantes da Plataforma. Algumas horas depois do encontro, na conferência de líderes, Gama informou que iria solicitar urgência à Comissão de Assuntos Constitucionais para permitir o debate e votação da petição na sexta-feira. À saída da reunião com Gama, Isilda Pegado, jurista e mandatária da Plataforma, manifestou a "grande expectativa" do movimento em relação ao sentido de voto dos deputados, notando que, atendendo aos programas eleitorais dos partidos, apenas o BE possui "legitimidade" para avançar com a proposta de legalização do casamento gay.

Quanto ao PS, Pegado classificou a proposta do Governo como "rato escondido com rabo de fora", argumentando com a ideia de que o PS prepararou-se para, "a seu tempo", legalizar a adopção por casais homossexuais. Na verdade, acrescentou, a proposta de lei "também legaliza a adopção, que é um imperativo constitucional, e a reprodução artificial", cuja lei não faz distinções nos beneficiários.

Pegado desafiou a classe política a "não ter medo do povo": "Vamos voltar a ouvir o povo", apelou, sublinhando que os parlamentares devem contrariar a distanciação "entre eleitos e eleitores". Instada a explicitar a posição da Plataforma quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, negou que o movimento seja contra. Mas escusou-se a esclarecer o seu entendimento sobre o tema. Optou por lembrar que já defendeu vários homossexuais na sua qualidade de jurista e afirmou: "Neste momento não existem direitos negados a quem vive a homossexualidade."

Durante a tarde, a petição foi comentada pelo PCP e pelo CDS. O deputado comunista João Oliveira não adiantou o sentido de voto da bancada, mas deixou implícita a desaprovação da consulta popular. "Estão reunidas as condições para que a AR possa proceder à alteração legislativa", disse. João Almeida, do CDS, anunciou que o seu grupo parlamentar vai votar a favor do referendo.


Estatísticas

  • 493 leitores
  • 27 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1416483

Comentário + votado

Isilda...

A D. Isilda Pegado quando deputada votou contra uma proposta de referendo à despenalização do ...

Fernando Jorge

06.01.2010 12:53

X

Mais em Política (3 de 10 artigos)

PSD dá liberdade de voto sobre casamentos <i>gay</i>