A Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO (PAGAN) condenou a actuação da polícia na manifestação anticapitalista que decorreu em Setúbal, por ocasião do 1º de Maio, considerando que se tratou de uma “afronta à cidadania”.
“Os responsáveis pelo aparelho de segurança do Estado têm de garantir o direito de todos à liberdade de expressão. A violência veiculada por um Estado que se mostra cada vez mais repressivo é um indicador dos tempos que temos pela frente”, refere um comunicado da organização.
A PAGAN lamenta ainda a “ausência dos meios de comunicação social, cuja presença inibiria certamente a brutal e totalmente desajustada atuação policial”.
Confrontos entre um grupo anarquista e forças de segurança no Largo da Fonte Nova, em Setúbal, resultaram em três feridos e várias pessoas identificadas pela PSP, disseram à Lusa fontes policiais e do Hospital São Bernardo.
O grupo constituído por alguma dezenas de anarquistas, que trajavam de negro, seguiu de perto o tradicional desfile do 1.º de Maio da União de Sindicatos de Setúbal (USS), afeta à GGTP, que partiu da Praça de Quebedo em direção à avenida Luísa Todi, mas, segundo fonte sindical, não se registaram incidentes.
Fonte policial adiantou que os incidentes terão começado quando as forças policiais chegaram ao local e foram recebidas com o arremesso de vários objectos, depois de terem sido alertadas por populares para o barulho e para alguns comportamentos menos próprios dos anarquistas.
Contactado pela Lusa, um dos participantes no que classificou como uma "manifestação anti-capitalista" e que pediu o anonimato, disse que no final do protesto, "chegou um carro de patrulha da polícia que pediu para baixar [o som] da música que vinha da mala de um carro e pediu identificação a algumas pessoas que não se quiseram identificar".
Entretanto, prosseguiu, "chegou um carro da polícia de intervenção" ao Largo da Fonte Nova. "Tinham armas de balas de borracha e armas reais, gás pimenta e cassetetes", tendo a polícia e os manifestantes entrado em confrontos. "Foi um cenário desmesurado para o que se estava a passar", concluiu.


