O Presidente da República recebe hoje PEV, BE e PCP para audiências sobre a situação económica, política e social, a duas semanas da entrega do Orçamento do Estado, cuja viabilização dependerá de entendimentos do Governo com a oposição.
CDS-PP, PSD e PS vão ser ouvidos amanhã de manhã, numa ronda de audiências inédita sobre a “situação económica, política e social do país”, que Cavaco Silva quer que decorra “com espírito construtivo”.
O anúncio de que Cavaco Silva tinha chamado a Belém os partidos com representação parlamentar para falar sobre a “situação económica, política e social do país” foi feito no final da semana passada, numa altura em que se elevava o tom da troca de palavras entre o Governo e o PSD acerca do Orçamento de Estado para 2011.
Na semana passada, José Sócrates avisou que o Governo não poderá continuar em funções se o Orçamento para 2011 for rejeitado. O primeiro-ministro acrescentou que poderá ser mais justo, eventualmente, aumentar impostos do que colocar em causa a saúde e educação públicas e recusou que a redução do défice possa ser conseguida apenas com o corte na despesa.
Na mais recente declaração pública sobre o tema, em Ponta Delgada, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, disse que o seu partido não quer regatear o Orçamento do Estado para 2011 e que cabe ao Governo "encontrar uma alternativa se entende que as condições do PSD não são justas".
“Se o Governo entende que essas condições do PSD não são justas, então que diga qual é a alternativa em termos de método e de apoio político e talvez consiga", disse, acrescentando que “não se trata de um problema com o PSD mas sim com os portugueses, que não podem ser penalizados com mais impostos”. À esquerda, PCP e BE desvalorizam o significado real da “crise” entre o primeiro-ministro e o líder do PSD, com o secretário-geral comunista a considerar que é uma forma de “chantagem” para justificar mais medidas de austeridade.
Classificando a troca de palavras entre o primeiro-ministro e o líder do PSD como “um folhetim”, o coordenador da comissão política do BE, Francisco Louçã, disse domingo que discutirá a proposta orçamental “pelos seus méritos”. Para o líder do CDS-PP, Paulo Portas, seria desejável “contenção” de declarações públicas ao PS e ao PSD, considerando que aqueles partidos são os maiores responsáveis pela “desconfiança dos agentes económicos”.
Em entrevista ao “Expresso”, Paulo Portas considerou que o PS e o PSD “são cúmplices” e disse que se for chamado pelo Governo para uma negociação do Orçamento é seu “dever” apresentar propostas mas reiterou a sua oposição a qualquer aumento de impostos. Do lado do PS, que será recebido amanhã, o líder parlamentar, Francisco Assis, manifestou sábado abertura para “que haja um entendimento parlamentar que viabilize o OE”. "A nossa preocupação é, justamente, a de criar as condições para que, apesar desta crispação, apesar deste clima de tensão, ainda seja possível promover um entendimento em torno de grandes objectivos nacionais", disse.


