Pedro Passos Coelho “cola” resultados de presidenciais a mudança política no país

21.12.2010 - 22:52 Por Nuno Simas
A música ambiente no restaurante da FIL, em Lisboa, até era de Natal, mas o discurso foi de Ano Novo. Passos Coelho foi jantar com os deputados do PSD, e semeou avisos ao Governo. E associou uma vitória de Cavaco Silva nas presidenciais ao “caminho” que quer para o país quando chegar ao poder.
De José Sócrates e dos socialistas, Passos Coelho espera “ataques violentos” no próximo ano e também deixou uma advertência final: “Estaremos prontos para qualquer eventualidade que venha a acontecer. O país sabe bem que nos temos preparado todos os dias.”
Primeiro, a unidade do partido. A sala estava cheia de funcionários e de deputados, mesmo aqueles que foram seus adversários, como Manuela Ferreira Leite ou Aguiar-Branco. O discurso de unidade também foi feito por Miguel Macedo, líder parlamentar, além das boas festas da praxe e de um desafio ao Governo.
Depois, o discurso foi para Passos Coelho, que preparou o partido para tempos difíceis em 2011. O líder social-democrata exigiu ao Executivo que “pare com as histórias da carochinha” e dê dados concretos sobre a execução orçamental.
“Esse resultado [nas presidenciais] é indispensável para o caminho que queremos trilhar para o nosso país”, afirmou, dizendo que Cavaco “tem sido um bom Presidente da República” e tem “a certeza que continuará a ser”. Um mandato que será equilibrado e em que Cavaco não será “contra o Governo”, mas sim elemento “agregador de todos os portugueses”.
A todos o líder pediu um exercício de imaginação: “Imaginem o que seria um Governo com um projecto de mudança profunda na sociedade portuguesa e volte a pôr o país a crescer… Imaginem o que seria ter Manuel Alegre Presidente da República?”
Passos Coelho também não tem dúvidas de que, no próximo ano, o PSD vai ser “atacado violentamente” pelo PS e pelo Governo pelas suas propostas para o país. Sem nenhuma palavra ou promessa de acordos com Sócrates, Passos antevê até ataques por tudo e por nada, sejam por propostas económicas ou por causa da “reforma laboral”. Admitindo até que o PS venha a querer “culpar” o PSD por “pôr em causa o [acordo do] Orçamento” de 2011, a “estabilidade governativa” ou mesmo de ser responsável pela entrada em Portugal “de certas instituições”, numa referência ao FMI.
O PSD, disse, estará activo na defesa de políticas pelo crescimento da economia, do emprego, pelo controlo da despesa pública. Passos anunciou ainda que as próximas jornadas parlamentares do partido serão dedicadas à situação social, com propostas concretas.

