O comité central do PCP retirou a Luísa Mesquita a confiança política enquanto deputada e enquanto vereadora na câmara municipal de Santarém, deixando àquela direcção regional do partido a decisão sobre outras sanções disciplinares.
Em comunicado divulgado hoje, o PCP considerou que o comportamento que a deputada Luísa Mesquita tem tido desde Junho de 2006, quando recusou abandonar o Parlamento como lhe tinha pedido o partido, é de "reiterada e inaceitável violação dos Estatutos" do partido.
Falando de um "longo processo de afrontamento ao PCP e às suas regras de funcionamento", o comité central refere que a deputada tem proferido "declarações que atingem o partido".
O comunicado sublinha "o acto claramente provocatório" assumido por Luísa Mesquita durante as jornadas parlamentares do PCP, de 9 a 10 de Outubro. O partido diz que a deputada promoveu "um programa alternativo (...), envolvendo visitas e agenda de imprensa".
"Os organismos competentes para o efeito, designadamente a Direcção da Organização Regional de Santarém, examinarão a atitude a adoptar face à reiterada e inaceitável violação dos Estatutos por parte de Luísa Mesquita", diz o PCP.
Líder parlamentar justifica retirada de confiança política com afirmações e comportamento ofensivos
Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, justificou a retirada da confiança política à deputada Luísa Mesquita com "o crescendo de afirmações públicas ofensivas para o PCP" mas recusa antecipar o cenário de expulsão do partido.
"Depois da decisão de 23 de Novembro de 2006, procurámos, ao nível do grupo parlamentar, manter uma situação de não conflitualidade", afirmou Bernardino Soares, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
No entanto, para o líder da bancada comunista, o partido "foi assistindo à profusão de afirmações públicas ofensivas para o PCP" por parte de Luísa Mesquita.
"Houve depois um momento particularmente grave, a situação das jornadas parlamentares, em que a deputada marcou uma visita e uma conferência de imprensa coincidentes com o decorrer das jornadas", recordou.
Com a retirada da confiança política, na prática, explicou Bernardino Soares, Luísa Mesquita "deixou de representar politicamente o PCP", quer no Parlamento - onde deixará de estar indicada para qualquer comissão - quer na Câmara Municipal de Santarém.
Quanto a uma eventual expulsão do PCP, Bernardino Soares remeteu a decisão para "os órgãos próprios do partido".
"Em relação à situação partidária não faço nenhum comentário, terá de ser analisada pelos órgãos próprios do partido", afirmou Bernardino Soares.
Segundo o comunicado, "os organismos competentes para o efeito, designadamente a Direcção da Organização Regional de Santarém, examinarão a atitude a adoptar face à reiterada e inaceitável violação dos Estatutos por parte de Luísa Mesquita".


