O PCP rejeitou que a alternativa nas legislativas seja entre um governo socialista ou de direita, como defende José Sócrates num artigo hoje publicado, mas entre "uma política verdadeiramente de esquerda e governos de direita do PS, PSD ou CDS".
Num artigo de opinião hoje publicado no Jornal de Notícias, o secretário-geral do PS centra a sua crítica na direita, apelando a que "não haja ilusões: para Portugal, a alternativa real é entre o PS ser chamado de novo a formar Governo ou regressar a um Governo de direita. Por isso, os que querem um PS fraco e vencido, digam o que disserem, preferem de facto a direita no poder", uma dicotomia rejeitada pelo membro do Comité Central do PCP Agostinho Lopes.
"Consideramos falsa a dicotomia que o primeiro-ministro apresenta" entre o governo PS ou de direita, afirmou à Lusa o também deputado comunista.
Para o PCP, "a alternativa é uma política verdadeiramente de esquerda e governos de direita, geridos pelo PS ou por PSD e CDS".
Agostinho Lopes criticou as propostas contidas no programa eleitoral já apresentado pelo PS, que, considerou, "contrariamente ao que é dito, não é um programa para vencer a crise".
"É certamente um programa para que alguns - a banca, as finanças, os grandes grupos económicos - possam ultrapassar a crise sem grandes prejuízos, mas vai continuar a sacrificar o emprego, o tecido económico e as pequenas e médias empresas", sustentou o dirigente comunista, para quem as propostas socialistas não conseguirão também "modernizar o país", mas vão antes "acentuar um conjunto de défices estruturais do país" e "manter as desigualdades e a pobreza a níveis muito elevados, na ordem dos 20 por cento".
Sobre o investimento público, um dos assuntos abordados pelo líder socialista no artigo, o PCP considera que o que tem sido feito até agora é insuficiente e deve destinar-se à "criação de emprego e para responder à consolidação do tecido económico" e não para "alimentar grandes negócios, como os projectos do TGV, novo aeroporto e terceira travessia do Tejo".
Quanto às políticas sociais, Agostinho Lopes considera que Sócrates "faz uma acusação ao PSD e CDS que lhe pode cair em cima da cabeça, a de que pretendem privatizar serviços públicos", acusando o primeiro-ministro de ter vindo a privatizar o Serviço Nacional de Saúde, o ensino e o sector rodoviário.
No combate à pobreza, para os portugueses pobres que são trabalhadores, mais que as medidas de apoio anunciadas, a resposta passa pela "revalorização dos salários de miséria", enquanto os reformados e pensionistas também devem ver as "baixas pensões e reformas" revistas, defendeu o comunista, insistindo na alteração dos critérios de atribuição do subsídio de desemprego.
Sobre as críticas de Sócrates à esquerda, que acusa de "se limitar a protestar, dispensando-se da maçada de contribuir para a solução de qualquer problema", Agostinho Lopes considerou que esta é "uma ideia completamente generalista para procurar arrumar numa classificação vaga a intervenção da esquerda e em concreto a do Partido Comunista".


