PCP quer Sócrates no Parlamento para explicar demissão de Campos e Cunha

21.07.2005 - 17:06 Por Lusa
O PCP pediu hoje a presença do primeiro-ministro no Parlamento, no plenário de dia 28, para debater a demissão de Luís Campos e Cunha do cargo de ministro de Estado e das Finanças e a situação do Governo.
Em requerimento entregue na Assembleia da República, o PCP propõe a realização de um debate com José Sócrates antes da ordem do dia do plenário de dia 28 sobre "as causas e consequências da demissão do ministro das Finanças na situação política e governativa".
A sessão plenária desse dia, dedicada à discussão das propostas do Governo sobre as férias judiciais e o congelamento das progressões automáticas na Administração Pública e das Grandes Opções do Plano (GOP) e à votação final global destes e de outros diplomas, é a última antes das férias parlamentares.
No requerimento, a bancada comunista afirma ser "indispensável que a Assembleia da República encontre o espaço próprio para discutir a situação política criada com a demissão do ministro", argumentando que esta "tem óbvias consequências na actividade do Governo", cuja fiscalização cabe aos deputados.
"A demissão em causa e a nomeação de um novo ministro das Finanças assume uma relevância e uma gravidade acrescidas, tendo em conta a discussão em curso no Parlamento de diversos diplomas do Governo com participação daquele ministério", refere ainda o documento.
O PCP considera ainda que "também no plano externo, designadamente no que toca à intervenção do Governo junto da União Europeia, esta alteração do elenco ministerial tem inegável relevância", reforçando a importância de "avaliar as suas causas e consequências".
Luís Campos e Cunha pediu ontem a demissão argumentando”motivos pessoais, familiares e de cansaço”, obrigando o primeiro-ministro, José Sócrates, a fazer a primeira remodelação governamental, apenas 130 dias após a posse do XVII Governo, a 12 de Março.
Campos e Cunha foi substituído de imediato por Fernando Teixeira dos Santos, ex-secretário de Estado de António Guterres, que deixou a presidência da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) para regressar ao Governo e tomou posse hoje no Palácio de Belém.

