Comunistas alertam para o combate à pobreza e incentivo da produtividade

PCP quer aumento do salário mínimo para 400 euros em Julho

13.04.2005 - 18:56 Por Lusa

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O PCP diz que o seu projecto servirá de estímulo para o aumento da produtividade e alargamento do mercado interno O PCP diz que o seu projecto servirá de estímulo para o aumento da produtividade e alargamento do mercado interno (António Cotrim/Lusa)
O PCP defendeu hoje que o Governo deve aumentar o salário mínimo nacional de 374 para 400 euros a partir de Julho, para combater a pobreza, incentivar a produtividade e contribuir para o desenvolvimento do país.

O Parlamento vai discutir e votar amanhã um projecto de resolução dos comunistas que propõe esse aumento intercalar do salário mínimo. A bancada do PCP diz esperar que o PS subscreva a recomendação ao Governo.

"O PS tem manifestado preocupações nesta matéria. Agora vamos ver no concreto como decidem", declarou aos jornalistas o deputado do PCP Francisco Lopes, acrescentando que a resposta governamental a esta proposta será igualmente "um factor importante" para a avaliação do posicionamento do executivo em questões de trabalho.

Francisco Lopes salientou que o projecto do PCP não implica qualquer agravamento do défice por se tratar de um aumento salarial intercalar para vigorar no conjunto do sector privado e defendeu que essa subida terá efeitos positivos na economia.

"É uma questão de justiça social, que corresponde a uma necessidade urgente, porque existem 300 mil pessoas a passar fome e mais de dois milhões em situação de pobreza em Portugal. Mas é também um contributo para o desenvolvimento económico", afirmou.

De acordo com o dirigente comunista, o projecto "é um incentivo para o aumento geral dos salários" e servirá de estímulo para o aumento da produtividade e para o alargamento do mercado interno.

"374 euros não chega para nada", sublinhou Francisco Lopes, frisando que "há centenas de milhares de trabalhadores" que se mantêm em situação de pobreza apesar do seu ordenado mensal.

O deputado do PCP argumentou ainda que o salário mínimo de há 30 anos corresponderia, em valores actuais, "a mais de 500 euros", o que significa que, desde então, "houve uma perda de poder de compra dos trabalhadores".

Francisco Lopes apontou também o lucro das grandes empresas, que disse ser conseguido "em grande parte" à custa dos empregados, para defender o projecto de resolução do PCP, um dos primeiros entregues pelos comunistas esta legislatura, por ser considerado prioritário.

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