PCP promete “combate firme” e admite apresentar moção de rejeição ao programa

28.06.2011 - 20:17 Por Lusa
O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, admitiu esta terça-feira a apresentação de uma moção de rejeição ao programa do Governo, garantindo que, independentemente dessa eventual moção, os comunistas travarão “um combate firme” a todas as medidas.
“É uma matéria que oportunamente vamos ponderar. O problema não se pode cingir ao debate da próxima quinta e sexta-feira”, respondeu Bernardino Soares aos jornalistas, no Parlamento, quando questionado sobre a apresentação de uma moção de rejeição.
O líder da bancada comunista prometeu que “cada uma destas medidas merecerá um combate individualizado e a apresentação de alternativas”, referindo que “isso far-se-á certamente no debate da próxima quinta e sexta feira, independentemente da apresentação ou não dessa moção, e certamente também nos dias que se seguirão com a apresentação das propostas do Governo e com a apresentação das alternativas do PCP”.
“Este programa confirma a submissão deste Governo ao memorando que foi assinado com a ‘troika’ da União Europeia e do FMI, aliás também pelo PS, para além dos dois partidos que compõem a coligação de Governo”, afirmou, sublinhando que “consegue ainda apresentar novas medidas negativas que não estavam nesse acordo”.
O PCP destaca, “para além de tudo o que já foi dito em relação à legislação laboral, a possibilidade do recurso indiscriminado ao trabalho temporário e a possibilidade não ser remunerado o trabalho suplementar, isto é, de as horas extra não serem pagas, serem meramente substituídas por dias de descanso à conveniência da entidade empregadoras”.
“Surgem novas privatizações que não estavam referidas, como no caso do metro, da carris e dos STCP, no Porto. Surge ainda a possibilidade de privatizar centros de saúde, entregar a gestão de hospitais públicos para além dos que já estão entregues à gestão privada nas parcerias público-privadas, entregar outros hospitais públicos à gestão privada”, acrescentou.
Tratam-se de “matérias que são da maior gravidade”, argumentou, e que confirmam “que este Governo quer prosseguir esta política e que deixa intocados mais uma vez, tal como o Governo anterior, os grandes grupos económicos”.
Sobre estes grupos, apontou, “não se encontra nenhuma medida para lhes impor algum sacrifício neste programa de Governo e que beneficiarão de mais recursos públicos transferidos, de um maior aumento da exploração dos trabalhadores e da concentração da riqueza, por via das privatizações e de outras medidas, se fará cada vez mais nestes grupos económicos e estrangeiros”.

