PCP: programa eleitoral do PS dá sensação de uma "certa incredibilidade" 
30.07.2009 - 14:55 Por Lusa
O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, disse hoje que o programa eleitoral do PS dá a sensação de uma "certa incredibilidade" ao conter medidas e ideias que não foram concretizados nos últimos anos.
"A primeira nota [em relação ao programa] tem a ver com a sensação, que todos os portugueses têm, de uma certa incredibilidade de o Partido Socialista estar a prometer coisas e a anunciar ideias que não concretizou nos últimos quatro anos e meio e que podia ter concretizado", disse Bernardino Soares.
O porta-voz do PCP considera igualmente que o programa do PS, apresentado quarta-feira, "não se traduz em nenhuma alteração ou mudança nas questões fundamentais na política", mantendo-se a "obsessão pelo défice". A obsessão pelo défice, conduz, de acordo com Bernardino Soares, a uma "redução de investimento público, de apoios sociais e de redução de apoio às Pequenas e Médias Empresas (PME)".
"Isso foi o que colocou o nosso país nesta situação e não pode ser reeditado", sintetizou. O PCP critica também a existência no programa socialista de "medidas tão vagas que não constituem realmente um compromisso" e dá como exemplo a "elevação do salário mínimo nacional". "Por exemplo, fala-se na elevação do salário mínimo nacional, mas o que nós gostaríamos era que o PS aceitasse a nossa proposta de que essa elevação fosse de até 600 euros em Janeiro de 2013. Esse compromisso é que era um compromisso sério e concreto", referiu.
O PCP gostaria também que o PS tivesse prometido a subida da taxa de IRC à banca para um mínimo de 20 por cento, lembrando que foram hoje anunciados lucros de 750 milhões euros no conjunto dos maiores bancos privados portugueses relativamente ao primeiro semestre. "Era muito importante que o PS aceitasse do ponto de vista de justiça fiscal (...) a proposta do PCP para que a taxa IRC aplicada à banca fosse no mínimo de 20 por cento, sendo que a taxa oficial é de 25 por cento", referiu.
E adiantou ainda: "Sistematicamente, ano após ano, e mesmo neste ano de crise, os bancos têm enormes lucros e pagam 13, 14 por cento de taxa efectiva contra os 25 por cento que são aplicados às PME e a todas empresas do nosso país".
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