O PCP está em “profundo desacordo” com a aceitação da Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Sonae sobre a PT, por retirar os poderes do Estado na maior empresa de comunicações portuguesa. Os comunistas questionam ainda se a operação foi articulada com o Governo.
"Estamos em profundo desacordo que este processo avance, desarmando completamente o Estado de qualquer intervenção no futuro da PT", declarou o deputado do PCP Agostinho Lopes aos jornalistas, no Parlamento.
"O que me parece que está em cima da mesa não é uma OPA do grupo de Belmiro sobre a PT, mas sobre o Estado português no sentido de se apossar de uma empresa que consideramos estratégica, através da sua privatização final", reforçou.
Agostinho Lopes remeteu, contudo, uma posição do PCP "com mais rigor" para depois de ser divulgada "mais informações do Governo relativamente à resposta que vai dar a esta oferta do engenheiro Belmiro de Azevedo" e frisou que existem ainda "muitas interrogações" quanto ao processo.
Comunistas questionam se operação foi articulada com o Governo
"Esta operação aparece quase como um ultimato ao Governo, mas a minha dúvida é se ela é de facto um ultimato, uma OPA hostil, ou se é algo articulado com o Governo, que assim resolve o problema de se ver livre das 'golden shares'", disse.
Confrontado com a posição da União Europeia (UE) sobre o futuro das "golden shares", o deputado comunista respondeu: "Naturalmente a Comissão Europeia questiona as 'golden shares', está no seu papel de apoiar o neoliberalismo do ponto de vista económico".
"O Governo é que não deve apoiar essas teses em vigor na UE e antecipar, avançando ele próprio nesse processo", completou, sustentando que "está mais do que provado que a cedência de posições decisivas não resolve o problema da conservação dos centros de decisão em Portugal, como a prática tem demonstrado".
A Sonae anunciou ontem o lançamento de uma OPA sobre a Portugal Telecom, condicionando o sucesso da operação à restrição dos poderes do Estado, que tem uma "golden share" na empresa, ou à aceitação do plano de reestruturação da empresa.


