Uma vergonha, uma aldrabice. O PCP e o Bloco de Esquerda subiram o tom das acusações ao Governo por querer “enganar” os portugueses, “em vésperas de greve geral”, com normas de excepção aos cortes salariais de cinco por cento na função pública e empresas participadas pelo Estado.
Logo pela manhã, no debate do Orçamento, Bernardino Soares, líder parlamentar comunista, acusou, por duas vezes, o Governo de querer “enganar os portugueses” na véspera da paralisação. Bernardino criticou esta “desavergonhada manobra de última hora de ontem” tentada pelo PS e Governo, “fazendo crer aos trabalhadores do Sector Empresarial do Estado que afinal os seus salários já não seriam reduzidos”. “É uma aldrabice política”, sintetizou.
José Manuel Pureza, líder parlamentar bloquista, considerou que a medida - “uma manobra de recorte extraordinariamente duvidoso” e “uma aldrabice” – é uma das justificações para que “em Portugal se faça hoje uma histórica greve geral”.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, insistiu hoje que o Governo não criou nenhum regime de excepção e que se trata de “uma adaptação” para “reconhecer as especificidades de certas empresas”.


