A acesa troca de palavras entre o PS e o PCP parece estar para durar. Algumas horas depois de o porta-voz dos socialistas, Vitalino Canas, ter acusado os comunistas e a CGTP de terem sido co-responsáveis pelas agressões de que foi vítima o candidato socialista às eleições europeias, Vital Moreira, durante a manifestação do 1º de Maio, o deputado do PCP Francisco Lopes rejeitou a “calúnia” e exigiu desculpas ao PS.
Ao pedido de “desculpas formais” exigido por Canas ao PCP e à CGTP, Francisco Lopes respondeu, citado pela agência Lusa: “O que se pode exigir é que o PS peça publicamente desculpas ao PCP pelas declarações ofensivas que lhe dirigiu.”
Vitalino Canas, refira-se, havia afirmado que o incidente tinha sido a “expressão” do “ódio” instigado pelo PCP e pela Intersindical ao longo desta legislatura. O parlamentar comunista lamentou os acontecimentos, mas repudiou as “acusações, os insultos e as calúnias” do PS. E explicou que os comunistas não reagiram de imediato ao incidente (anteontem, o secretário-geral, Jerónimo de Sousa, disse preferir não comentar o que não viu) porque queriam “fazer a verificação exacta dos acontecimentos”. Até porque, sustentou, “a procura de conflitos, o empolamento de incidentes, as provocações, insultos e calúnias dirigidas ao PCP parecem ser os argumentos a que o PS, num quadro de crescente isolamento, quer recorrer”.
Numa crítica velada à presença de Vital Moreira e de uma delegação de socialistas no arranque da manifestação da CGTP, Lopes afirmou o incidente de anteontem não pode ser desassociado da “situação de desespero em que milhares de trabalhadores se encontram”. E, neste âmbito, acusou o PS de “instrumentalizar actos isolados” com o objectivo de criar “uma manobra de carácter eleitoralista”.
Ao PÚBLICO, Vitalino Canas afirmou ontem que as declarações de Lopes, somadas à ausência de um pedido de desculpas ao PS, “agravam o défice de democracia” e aprofundam o “sectarismo” do PCP. “Se o PCP tem alguma pretensão democrática e de tolerância deve pedir desculpas aos agredidos e ao PS”, disse, notando que, caso os comunistas se mantenham em silêncio, “este incidente continuará a ter impacto”.


