A Coligação Democrática Unitária (CDU), que integra o PCP, o Partido Ecologista Os Verdes e a associação Intervenção Democrática, oficializou hoje a sua candidaturas às três eleições de 2009, europeias, legislativas e autárquicas, reafirmando a legitimidade das coligações eleitorais, mas sem avançar com candidatos
O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, reagiu ao facto de José Sócrates ter apelidado de “embuste” a coligação entre PCP e Os Verdes, por estes últimos nunca terem concorrido sozinhos a eleições, lembrando que nenhuma das forças políticas “se esconde” na CDU e que os seus “símbolos estão à vista” e criticando o secretário-geral do PS e primeiro-ministro por “usar esquemas que não ficam bem no plano ético”.
No final do acto público de apresentação da “nova CDU”, na Casa do Alentejo, em Lisboa, Jerónimo de Sousa disse ainda, com ironia, que compreende que Sócrates “não goste do PCP, da CDU e de Os Verdes”. “Mas isso é um problema dele”, retorquiu, defendendo que a CDU é um “bem democrático”, que atrai para a intervenção política “muitos sem filiação partidária”. Já minutos antes, no discurso perante as dezenas de apoiantes, entre os quais o ex-secretário-geral do PCP Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa tinha afirmado que “a CDU é a única força cujo reforço eleitoral e político pode pôr fim à alternância e abrir portas à construção de uma alternativa política”.
Jerónimo de Sousa afastou a existência de negociações com outros partidos sobre os actos eleitorais deste ano, nomeadamente negando qualquer “contacto” com António Costa, o presidente socialista da Câmara de Lisboa, e realçou que “a CDU irá apresentar os seus candidatos”.
Já sobre o calendário eleitoral, Jerónimo de Sousa defendeu a realização de três eleições distintas e “por ordem”, europeias, legislativas e autárquicas, por acreditar que não “é uma questão de prejuízo”, mas de “compreensão dos eleitores”, havendo “desvantagem em juntar campanhas eleitorais comn objectivos completamente diferentes”.
Já hoje, o PCP alertou, durante o debate das leis de Defesa Nacional, para o que diz ser a subalternização do papel do Presidente da República na decisão sobre o envio de militares para missões no estrangeiro. “Na proposta de lei de Defesa Nacional, o Governo é o único com capacidade para decidir. A Assembleia da República só acompanha e o Presidente é informado sem ter que autorizar”, disse à Lusa o deputado António Filipe.


