PCP considera "viciado" acordo PS/PSD para o Orçamento do Estado, PS diz que é "demonização"

13.01.2010 - 07:59 Por Sofia Rodrigues
Os preparativos para as conversações sobre o Orçamento do Estado para 2010 parecem já estar inquinados com o PCP. O líder parlamentar do PS, Francisco Assis, criticou ontem os comunistas - e também os bloquistas - por "demonizarem a negociação" sobre a proposta orçamental, respondendo assim directamente ao secretário-geral do PCP, que chamou "viciado" ao acordo entre PS e PSD.
O líder da bancada do PS apontou o dedo ao PCP e ao BE, que já na semana passada tinha mostrado desconfiança sobre as intenções do Governo. "Há algumas oposições à nossa esquerda que caem no erro de demonizar a negociação, como se de um mal se tratasse. Não há consensos viciados, só há acordos democráticos", afirmou Assis, em declarações à Agência Lusa. Foi a resposta a Jerónimo de Sousa, que, na abertura das jornadas parlamentares do PCP, a decorrer em Viseu, voltou a acusar o Governo de "encenação", ao mostrar abertura para o diálogo e a criticar a aproximação entre PS e PSD "assente na bengala" do CDS-PP. "No fundo, um suposto consenso não é mais do que um consenso viciado (...) porque ele não visa uma alteração de política mas sim a manutenção da mesma política que levou o país à grave situação de crise", apontou Jerónimo.
No primeiro dia das jornadas - que terminam hoje - o líder da bancada do PCP reuniu-se com a Associação de Comerciantes de Viseu, subscritora de uma petição, entregue em 2008, que pretende o encerramento geral das grandes superfícies ao domingo. E é essa proposta que a bancada do PCP irá voltar a apresentar com algumas alterações, depois de um projecto de lei nesse sentido já ter sido chumbado na anterior legislatura. Os comunistas querem que apenas seja permitida a abertura do comércio dez domingos ou feriados por ano, número que pode aumentar para 16 nas lojas situadas em zonas turísticas ou balneares e que pode ser diferenciado por vontade dos municípios.
A bancada do PCP anunciou ainda que pretende revogar disposições do Código de Trabalho que permitiram alargar os horários dos trabalhadores para 12 horas por dia ou 60 horas semanais por decisão unilateral do empregador. Este projecto de lei será discutido dia 21 num agendamento potestativo do PCP.

