O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que os comunistas vão “ponderar” a aprovação de outros projectos de resolução contra o PEC, mas manifestou “grande disposição” para “impedir” que as novas medidas de austeridade se tornem realidade.
“Em relação a outros [projecto de resolução] que possam existir, vamos ponderar, não conhecemos ainda os seus fundamentos, mas há uma grande disposição do PCP para impedir que este PEC se torne em orientação e em medidas concretas”, afirmou Jerónimo de Sousa.
O PCP tem o seu próprio projecto de resolução contra a quarta versão do Programa de Estabilidade e Crescimento, estando anunciadas também iniciativas do CDS-PP (caso o PS ou Governo não apresentem) e do BE, este já apresentado.
O líder comunista sublinhou que o projecto de resolução dos comunistas, que foi hoje apresentado na Assembleia da República pelo líder parlamentar, Bernardino Soares, “tem um conteúdo não só de combate mas de proposta”.
O objectivo é não só a recusa do programa proposto pelo Governo mas demonstrar no Parlamento que “havia possibilidades de um outro PEC se o Governo quisesse”, argumentou.
“Fala-se muito em crise política, e naturalmente que é uma questão que não é pequena, mas o que vamos debater na Assembleia da República é saber quem está contra ou a favor do congelamento das pensões e das reformas, contra ou a favor do aumento dos impostos, contra ou a favor de um novo ataque à legislação laboral, contra ou a favor do financiamento do Serviço Nacional de Saúde”, defendeu.
O líder do PCP reiterou a ideia que tem vindo a defender nos últimos dias que “se existir por parte do Governo uma reacção tendo em conta uma derrota do PEC isso só responsabiliza o próprio”.
“Não peçam ao PCP que em nome de uma estabilidade governativa se destabilize a vida dos portugueses com esta malfeitoria que é o PEC 4”, disse.
O secretário-geral comunista recebeu hoje uma delegação da nova direcção da Ordem dos Bastonários, presidida por José Manuel Silva, em que foram discutidos, entre outros assuntos, os impactos das medidas de austeridade no Serviço Nacional de Saúde. A audiência foi realizada a pedido da Ordem dos Médicos, explicou o bastonário.
“Naturalmente que os cortes mais recentes que foram anunciados irão ter reflexos inevitáveis na qualidade global e na disponibilidade de prestação de serviços aos cidadãos”, afirmou o bastonário, contrapondo que “nunca poderá ser colocado em causa a o equilíbrio do funcionamento e financiamento do Serviço Nacional de Saúde”.
Jerónimo de Sousa referiu que os médicos “têm uma palavra importante a dizer num momento em que se anunciam grandes preocupações, de redução das comparticipações, de privatização de áreas do Serviço Nacional de Saúde”.


