PCP acusa Governo de ser "cego e surdo" às reivindicações dos professores

26.02.2008 - 13:40 Por Lusa
O secretário-geral do PCP acusou hoje o Governo de ser "teimoso, cego e surdo" às reivindicações "justas" dos professores e admitiu que a demissão da ministra da Educação "seria inútil" prevendo que José Sócrates manteria a "mesma política".
"Poderíamos aplaudir a saída da ministra, mas seria um acto inútil" se não se modificassem "as políticas do Governo", defendeu Jerónimo de Sousa, durante uma visita à Voz do Operário, em Lisboa.
O líder comunista critica a ministra Maria João Rodrigues e a sua "visão economicista" no ensino, que acusa de ter conseguido essa "coisa espantosa" de "agredir, com uma agressividade inaceitável, a comunidade da educação com medidas avulsas como a avaliação dos professores".
A proposta governamental de avaliação dos professores, que tem estado na origem dos protestos dos docentes e na marcha de protesto de dia 6 de Março, "é um convite para os professores passarem os alunos de ano para ano para continuarem a ter boas notas", considerou.
Horas depois de ter sido conhecida a notícia de que um tribunal obrigara ao pagamento das aulas de substituição, Jerónimo de Sousa afirmou que o Governo está obrigado "ao cumprimento das decisões dos tribunais".
"Este é um governo teimoso, cego e surdo às reivindicações justas e legais dos professores. Neste momento, só tem uma solução que é reconhecer as decisões dos tribunais", afirmou. "Pena não ter sido o Governo a decidir", acrescentou.
O secretário-geral dos comunistas espera que a marcha convocada pelos professores seja "uma grande acção de protesto".
O dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, afirmou segunda-feira no programa da RTP "Prós e Contras" que há seis decisões de tribunais a favor de professores que pediram para as aulas de substituição lhes serem pagas como horas extraordinárias.
Segundo Mário Nogueira, a partir da quinta decisão no mesmo sentido, criou-se jurisprudência e agora o Ministério terá de pagar as aulas a todos os professores.
O secretário-geral dos comunistas espera que a marcha convocada pelos professores seja "uma grande acção de protesto". Jerónimo de Sousa fez uma visita durante a manhã à Voz do Operário, que está a comemorar 125 anos, e que considerou um exemplo.
Fundada no final do século XIX por operários tabaqueiros, que queriam aprender a ler, como o próprio lembrou aos jornalistas, o líder comunista elogiou a "obra espantosa" da instituição que tem mais de 450 crianças, da creche ao 9.º ano, e também presta apoio a idosos, no centro de convívio e com apoio domiciliário.
Jerónimo encontrou alguns camaradas do PCP na Voz do Operário, incluindo o escritor e ex-presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Modesto Navarro, que faz parte da direcção. O líder do PCP foi, aliás, porta-voz do pedido da Voz do Operário para que seja resolvido o problema dos atrasos das transferências de verbas do Ministério da Educação.

