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Jerónimo de Sousa diz que acabou o estado de graça

PCP acusa Governo de promover injustiça social

20.07.2007 - 15:18 Por Lusa

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Jerónimo acusou o executivo de "resvalar perigosamente para o autoritarismo" Jerónimo acusou o executivo de "resvalar perigosamente para o autoritarismo" (Carlos Lopes/PÚBLICO (arquivo))
O secretário-geral do PCP acusou hoje o Governo de promover a injustiça social, desencadeando uma onda de contestação que pôs fim ao estado de graça do executivo.

"O Governo perdeu o seu estado de graça", declarou Jerónimo de Sousa na interpelação ao primeiro-ministro, durante o debate anual sobre o estado da Nação, em que contestou o retrato optimista do país feito por José Sócrates.

Para o líder comunista, Portugal é hoje "um país mais injusto", onde o papel social do Estado tem sido reduzido, com o fecho de sucessivos serviços públicos, e o Governo "resvala perigosamente para o autoritarismo".

Como exemplo desta deriva, Jerónimo apontou a notícia de que "a administração do Metro avançou com 60 processos disciplinares aos trabalhadores que fizeram greve".

José Sócrates reagiu e deu outra versão dos factos: "Não foi porque fizeram greve. Ao que estou informado foi porque não cumpriram os serviços mínimos, porque não cumpriram a lei". "Isso é que se chama manipular, não dizer a verdade", criticou.

Antes, Jerónimo de Sousa tinha-o acusado de manipular os dados sobre o rendimento das famílias, afirmando que os trabalhadores viram os seus salários diminuir face à inflação.

"O rendimento das famílias subiu 3,9 por cento por causa das prestações sociais, o que quer dizer que se corrigiram as injustiças", insistiu Sócrates, alegando que "a cegueira do PCP com o PS quando está no poder impede-o de ver o que foi feito na área social".

Enquanto o primeiro-ministro disse não se recordar "de um Governo que em dois anos tenha tomado medidas sociais de tamanho alcance", o líder comunista destacou o encerramento de escolas e de serviços de saúde, entre outros, sobretudo no interior do país.

Jerónimo de Sousa sublinhou ainda o número de pobres, desempregados e trabalhadores precários e contestou a ideia das confederações patronais de "rasgar a Constituição" ao eliminar os preceitos que proíbem os despedimentos sem justa causa.

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