O cabeça-de-lista social-democrata ao Parlamento Europeu, Paulo Rangel, garante que "não está, de todo" nos seus planos vir a liderar o PSD e que prefere actualmente o combate europeu ao nacional.
Em entrevista à Lusa, Paulo Rangel foi confrontado com o facto de haver quem indique o seu nome como possível líder do PSD no futuro, como o antigo militante do partido José Miguel Júdice, que considerou que um bom resultado nas europeias reforçará essa possibilidade. Questionado se isso está nos seus planos, Paulo Rangel respondeu que "não". "Não está, de todo. É tão simples quanto isso", acrescentou o cabeça-de-lista do PSD às europeias e presidente do grupo parlamentar social-democrata.
Por outro lado, interrogado sobre se faz sentido deixar agora o combate político em Portugal, do qual se tornou um dos protagonistas principais nesta legislatura, Paulo Rangel considerou que "faz todo o sentido" a sua ida para o Parlamento Europeu no actual contexto.
Questionado se não preferia ficar no país ao lado da presidente do PSD, afirmou: "Eu estarei sempre ao lado da doutora Manuela Ferreira Leite, mas, sinceramente, neste momento, prefiro o combate europeu. Se não o preferisse, não teria aceite o desafio que me foi feito". "É preciso ver é se há convicção europeia, o que é o caso, e se há vocação para o exercício das funções. E, por outro lado, ir para a Europa não significa estar estar desatento ao debate nacional como, aliás, o percurso de muitos eurodeputados bem demonstra", argumentou Rangel, assegurando que vai "continuar completamente focado também na actualidade nacional".
Questionado se pode garantir de que cumprirá os cinco anos de mandato no Parlamento Europeu, o cabeça-de-lista do PSD respondeu: "Isso não posso garantir, como ninguém pode. Exactamente nas mesmas condições em que ninguém pode, não posso. Agora, que essa é a minha firme intenção, é".
Em defesa da Cimeira das Lajes
Por outro lado, Paulo Rangel considerou que "foi uma decisão acertada" Portugal organizar em 2003 a Cimeira das Lajes, que antecedeu a intervenção militar no Iraque por uma coligação liderada pelos Estados Unidos. "Tendo em conta os dados da conjuntura e aquela que é posição geoestratégica de Portugal, que é uma posição euro-atlântica, muito traçada pela relação com os Estados Unidos e pela relação com o Reino Unido, eu julgo que Portugal não esteve mal", afirmou.
"As avaliações à posteriori têm que ter em conta outros dados, mas a avaliação no momento, com os dados que existiam, parece-me que é uma avaliação que está de acordo com os interesses geoestratégicos de Portugal", reforçou.
Segundo Paulo Rangel, "houve informação que foi errada, disso não há dúvida nenhuma, quanto às armas de destruição maciça" e "porventura hoje as opções seriam outras", mas com o conhecimento da altura parece-lhe que "foi uma decisão acertada".
Sobre o resultado para o mundo e, em particular, para a União Europeia, do período de mandato do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, para o cabeça-de-lista do PSD"não foram dos anos melhores".
"Há aspectos que foram importantes na presidência de George Bush, designadamente a luta contra o terrorismo numa fase inicial. A reacção ao 11 de Setembro, a reacção inicial, acho que foi positiva. Depois disso penso que, sinceramente, o balanço não é um balanço positivo. E não é tanto na relação com a União Europeia, é em termos globais, portanto, em termos mundiais".


